A intervenção urbana é uma forma de arte cujo objetivo é interagir, de maneira criativa e poética, com o espaço cotidiano e as pessoas. As intervenções são capazes de reinventar, ainda que momentaneamente, novos sentidos ao espaço escolhido e suscitar novas percepções às pessoas.

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4.4.16

Sarau do PI: ressoando as vozes femininas

No sábado dia 19 de março aconteceu no SESC Taubaté mais uma edição do Sarau do PI, dando continuidade a temática da Literatura Feminina Contemporânea, iniciada na Casa das Rosas em 2015 com um ciclo de quatro edições.

O sarau do PI é uma tradição, originada em 2010 quando tínhamos nossa antiga sede na zona norte de São Paulo e reunia amigos e pessoas interessadas em partilhar experiências artísticas, pequenas cenas, leituras, performances e canções. Em 2015 o projeto ganha uma nova força com a escolha de abordar a literatura feminina contemporânea e novas artistas, dando voz para essas produções. Assim, ocupamos a Casa das Rosas no primeiro semestre daquele ano, agregando pessoas à discussão e divulgando essas novas produções.

Agora em março a convite do Sesc Taubaté levamos esse formato para cidade, realizando um sarau intimista, de muita troca e diálogo. Na programação tivemos o bate-papo mediado pela Talita Mochiute, parceira nossa para área de literatura, com a escritora Lilian Aquino e as poesias de seu livro “Pequenos Afazeres Domésticos” e de Michele Santos, organizadora do Sarau Sobrenome Liberdade, que recentemente lançou o seu livro “Toda Via”. A conversa versou sobre as desigualdades ainda presentes no cenário artístico e literário da divulgação e espaço para produções de mulheres. O lugar de onde se escreve que é sempre carregado da história de cada pessoa.  Aqui, Michele ressaltou a importância dos movimentos de saraus e escrita independente na periferia para quebra do “EU” masculino e contribuindo para formação de outras perspectivas para jovens e garotas além do universo doméstico.  Lilian ainda colocou na prosa, os poemas de Ana Cristina César.

Mais uma vez, tivemos a presença de Paula Castiglione, grande amiga, interpretando com voz e piano grandes compositoras brasileiras: Chiquinha Gonzaga, Dolores Duran, Carolina Maria de Jesus e Rita Lee. Sem contar, a irreverência de Priscilla Toscano e Paula dando vida à musica Mulher de Fases.  Relembrando que durante muito tempo na nossa história as mulheres eram caladas ou suas composições eram assinados por homens. Ainda tivemos o experimento meu e de Priscilla de uma versão para a ação: O que você carrega na sua bolsa? , em que retiramos da bolsa objetos que transformam a nossa aparência, elementos da imposição de padrões e comportamentos sociais. Ao final, nos livramos deles e deixamos no espelho a frase: Nossos corpos, nossas regras.

Corte
Decidiu raspar os cabelos
Ela mesma
Sua intimidade com tesouras
E objetos pontiagudo
lhe dá esse ar
louco, redemoinho.
E careca,
É mais fácil sangrar.
(Lilian Aquino)

O encontro, mesmo breve, teve muita participação das pessoas, lendo seus poemas preferidos, suas histórias, falando de si e do mundo, tornando a palavra uma escuta coletiva. No espaço, também deixamos uma pequena instalação poética com um varal de postais e poemas como um cantinho sagrado de uma casa que reconta as memórias de quem ali vive, nesse caso, as lembranças de nossa trajetória.  Por fim, terminamos com a performance Me traziam a Lembrança daqui ... de Luanah Cruz,  no qual a artista se relaciona com o público usando um vestido de mais de 30 metros, um corpo-feminino-tapete, que se transforma ao longo da ação com poesias, desenhos, histórias deixados pelo público. Luanah caminhou pelas ruas da unidade, deixando um rastro ali de nossa passagem.
 
O sarau, trazendo as palavras de Talita: é mais um desses encontros importantes que nos lembram que não estamos sozinhas.  Para mim, que sugeri para o PI o disparo inicial de criarmos um sarau sobre literatura feminina lá em 2014, vê-lo acontecer sempre traz a possibilidade de compartilhar palavras, memórias, zonas de silêncio e, sobretudo, fortaleça a luta por uma sociedade menos Ele e Ela e mais NOSSA ou seria ENTRE?

Entre ser com
E ser contra
Sejamos entre
(Michele Santos)

Por Pâmella Cruz







17.3.16

Sarau do PI: Literatura Feminina Contemporânea no Sesc Taubaté

Foto: Roni Adame
Acontece no sábado, 19 de março às 16h, o Sarau do PI: Literatura Feminina Contemporânea no Sesc Taubaté. O sarau é uma tradição desde 2010 do Coletivo PI, agregando às leituras apresentações artísticas diversas, alargando o debate sobre a produção feminina no cenário cultural.
O sarau reunirá produções literárias, apresentações artísticas e manifestações espontâneas do público presente, criando um ambiente dinâmico e de diálogo, onde todos podem participar trazendo seus poemas favoritos.
 O evento contará com a presença da escritora Lilian Aquino e as poesias de seu livro “Pequenos Afazeres Domésticos” e de Michele Santos, organizadora do Sarau Sobrenome Liberdade, que recentemente lançou o seu livro “Toda Via”. A conversa sobre literatura será mediada por Talita Mochiute, parceria do grupo.
Relembrando as importantes contribuições no campo musical, Paula Castiglione interpretará musicas de compositoras brasileiras com voz e piano. O sarau terá a performance Me traziam a Lembrança daqui ... de Luanah Cruz,  no qual a artista se relaciona com o público usando um vestido de mais de 30 metros, um corpo-feminino-tapete, que se transforma ao longo da ação com poesias, desenhos, histórias deixados pelo público. E ainda, terá a ação: O que você carrega na sua bolsa? do próprio Coletivo PI, em que duas mulheres partilham suas memórias com o público.
O ideal deste sarau foi motivada pelas últimas pesquisas do Coletivo PI sobre as questões da construção de gênero e a produção de mulheres no campo da Arte e da Literatura. Em 2015, o núcleo fez quatro edições do sarau na Casa das Rosas em SP, contemplando as produções de jovens escritoras.  
O Coletivo PI tem a cultura e empoderamento feminino como um dos principais eixos de investigação artística.  Assim, tem trabalhado para abrir campos de atuação e diálogos dentro do cenário cultural.

Ficha Técnica
Concepção e Produção: Coletivo PI
Direção Geral: Pâmella Cruz
Direção de Produção: Priscilla Toscano
Assistência de pré-produção: Mari Sanhudo
Equipe PI: Jean Carlo Cunha, Pâmella Cruz, Priscilla Toscano
Escritoras: Lilian Aquino e Michele Santos
Mediadora: Talita Mochiute
Pianista: Paula Castiglione
Performer: Luanah Cruz
Comunicação: Chai Rodrigues e Pâmella Cruz

Saiba como foram as edições do Sarau do PI: Literatura Feminina Contemporânea - 2015

14.7.15

Coletivo PI fecha ciclo de saraus sobre literatura feminina contemporânea na Casa das Rosas

Foto: Roni Adame
Foram quatros meses e quatro eventos que promoveram bons encontros. O Coletivo PI se despede da Casa das Rosas após os Saraus sobre Literatura Feminina Contemporânea. Antes o Sarau do PI era realizado na antiga sede do Coletivo na zona norte da cidade, com um caráter informal e livre, no qual eram reunidas linguagens artísticas com prioridade para a cena e a música. Foi um passo importante propor para a Casa das Rosas o Sarau do PI com foco na literatura feminina contemporânea, pois isso proporcionou a abertura de um espaço para discutir questões relacionadas à construção de gênero, eixo principal das pesquisas e criações artísticas do grupo.

Os temas escolhidos não foram por acaso, Poesia e crônica, Erótico, Periferia e Dramaturgia, todos envolvendo a temática do feminino, desenvolvidos e planejados para correlacionar com os objetivos do PI. Performances, músicas e principalmente as autoras convidadas, construíram um ciclo de conhecimento, que pudemos compartilhar com os visitantes da Casa.

Para Natalia Vianna, o Sarau do na Casa das Rosas foi um processo de aprendizagem e descoberta: "A cada edição, a possibilidade de conhecer e dialogar com artistas e não artistas a partir de anseios e temas em comum foi como abrir um intervalo no tempo. Um intervalo poético, de reflexão, de apreciação, de boas conversas, de risadas, um intervalo para ouvir mais do que falar. Um momento de respiro no meio de uma rotina tão massacrante de uma megalópole como São Paulo. Além das pessoas carinhosamente convidados e do público aberto e bem disposto, a própria Casa das Rosas nos transporta para um outro lugar, um outro tempo... O gostinho de quero mais ficou em cada edição... Mas isso é boa coisa boa, pois deixa em nós a vontade de que momentos como esses se repitam, e a certeza de que eles são cada vez mais necessários na vida contemporânea".

A partir da direita: Pâmella Cruz, Maria Giulia Pinheiro,
Paloma Franca Amorim e Talita Mochiute. Foto: Roni Adame
Em todas as edições a participação de Talita Mochiute foi fundamental. Mestre em Literatura Comparada, ela conduziu junto com Pâmella Cruz as conversas com as escritoras convidadas. Das conversas que abriram cada sarau uma fala ecoou pela Casa das Rosas: quando se produz literatura o mais importante é a doação de energia e a sinceridade ao escrever, não ser mulher, homem ou o que for. A oportunidade de eventos como este é boa para conhecer pessoas que possuem os mesmos desejos e base de temas para a criação, mas é preciso sempre explodir com as "caixinhas" que tentam colocar as pessoas em nome de poder e lógicas de mercados consumidores. "Não classifico meus autores favoritos em mulheres ou homens, nacionais ou internacionais. Escolho (ou eles me pegam pelo pé, como adoro dizer quando me percebo amando uma história) pela afinidade, pela forma como me reconheço neles e como, juntos, pensamos a vida e o mundo. A experiência do Sarau do PI intensificou pra mim que é isso que importa: o que a arte tem a dizer. Mas como artista, ele instigou outra questão: quem tem espaço para falar? E este espaço é menor para as mulheres. Então há algo aí para se pensar. Como conseguirmos criar espaços para produção e exposição que sejam pra todos, independente do gênero". Afirma Chai Rodrigues.

Para Priscilla Toscano, outro fator que enriqueceu as vivencias nas quatro edições do projeto foi o público: "A Casa das Rosas por estar situada na Avenida Paulista, além de possuir um público cativo consumidor de literatura, também atrai diversas pessoas, dos mais diferentes perfis. Isso foi uma delícia principalmente nos momentos em que propusemos a interferência de performances, cenas performativas e vídeo performances. Momentos que, na minha avaliação, assaltaram um público extremamente plural".

Foram momentos de expor o que o Coletivo pensa e produz sobre e, principalmente, descobrir e valorizar a produção artística de uma mulherada criativa e ativa nas tentativas de fazer arte e se colocar no mundo. Além de perceber que, para além da biologia, o feminino é um tema para todos os artistas e eles aderiram ao sarau de peito aberto. Foram quase trinta 30 apresentações nos diversos gêneros artísticos e plataformas. Para Pâmella Cruz, o melhor do Sarau foi a oportunidade do encontro: “O sarau aproximou escritoras, artistas, pesquisadores e interessados na temática, revelando de forma sensível e poética a produção feminina atual, alargando o campo de reflexão sobre as questões de gênero, sobre a disputa por representação, sobre igualdades e idiossincrasias, criando uma trama de vozes, desejos, corpos e silêncio.  Para mim, o mais importante do sarau é que ele encurtou as distâncias, dissolveu as barreiras, promovendo o encontro de ideias, realidades e vontades, porque é exatamente aí a potência da literatura, da arte: criar novas realidades possíveis, tornar visível o invisível, e o desejo futuro um sonho presente”.

      O Sarau do PI foi um projeto proposto em 2014 para o edital de Saraus Culturais na Casa das Rosas, promovido pela Poiesis e “este trabalho não seria possível, sem os 6 PI’s, sem os encontros que foram proporcionados nos Saraus e nas  incríveis histórias que acabamos conhecendo. Passamos por todas as etapas juntos, escrevemos, criamos, produzimos e finalizamos juntos, como um Coletivo”, afirma Mari Sanhudo.  Fechamos o ciclo deste projeto, mas ainda temos várias ações previstas do PI para 2015. Os interessados podem acompanhar a agenda do site do PI para saber mais sobre nossos trabalhos. Obrigada a todos por fazerem do Sarau do PI um grande projeto e até a próxima!

Confira as fotos do último Sarau do PI na Casa das Rosas

SARAU DO PI - DRAMATURGIA FEMININA
Fotos: Roni Adame


6.6.15

Terceira edição do Sarau do PI discutiu, na Avenida Paulista, a produção feita na periferia da cidade



Foto: Roni Adame

Evento na Casa das Rosas contou com escritoras, pesquisadoras, música e performances. 


         As duas últimas edições do Sarau do PI abordaram temáticas que podem direcionar a forma de fazer literatura, mas tanto no sarau sobre literatura erótica quanto no sarau sobre literatura de periferia uma questão está cada vez mais latente: dá pra separar a produção rigorosamente em temas? Eles realmente determinam a linguagem da produção artística? Durante o bate papo entre Jéssica Balbino e Michele Santos, por exemplo, uma das questões feitas pelo público foi: é possível escrever literatura de periferia sem morar na periferia? Para Jessica, não; para Michele, sim. A discussão sobre forma X conteúdo cruzou todo o bate papo.


         Vários outros assuntos correram durante a conversa que durou 40 minutos na Casa das Rosas, no último sábado, dia 30/05. As convidadas falaram sobre seus trabalhos, suas autoras favoritas e seus projetos. Jessica Balbino, inclusive coordenada uma pesquisa sobre produção de literatura marginal feita por mulheres. Os interessados podem responder o questionário no portal Margens (margens.com.br)  e apontar quais autoras conhecem ou se apresentar como produtoras. Acima de tudo, o que mais interessa é abrir espaço para a produção feminina.


         Cumprindo a tradição do sarau de unir diversas artes, após a primeira abertura de microfone, o público foi direcionado na área externa da Casa das Rosas para assistir a cena performática COMA, das artistas Emanuela Araújo e Fernanda Pérez. Após a ação o público pode assistir o vídeo documentário de Iza Monteiro falando sobre sua trajetória para se reconhecer e ser reconhecida como mulher. O trabalho se uniu às ações "Meu corpo, minhas regras", de Jean Carlo Cunha. As pessoas foram convidadas a escrever sobre o tema em telas distribuídas pelo salão. O resultado desses depoimentos será conferido no próximo Sarau do PI, que encerra esse ciclo do coletivo na Casa.


         Fechando essa edição, a cantora Graça Cunha e o músico Stefanio Faustino presentearam o público com músicas feitas por grandes mulheres, inclusive uma composição própria de Graça Cunha. A próxima edição do Sarau do PI será dia 04 de junho, a partir das 19h. O tema será Dramaturgia Feminina.


Confira as imagens do III Sarau do PI - Literatura Feminina Contemporânea

LITERATURA DE PERIFERIA

Fotos: Roni Adame



Por Chai Rodrigues

23.5.15

Sarau do PI - Literatura de Periferia



3ª edição do projeto sobre literatura feminina contemporânea ocorre no próximo sábado, na Casa das Rosas.

         Em sua terceira edição, o Sarau do PI - Literatura Feminima Contemporânea traz a temática da periferia e a mulher, dando voz aos textos de importantes representantes, começando por Carolina Maria de Jesus, que nesse ano completa cem anos de seu nascimento. Dessa vez o bate-papo sobre literatura, mediado por Talita Mochiute, será com Jéssica Balbino, e sua imersão na cultura hip-hop, e Michele Santos, do Sarau Sobrenome Liberdade. 
         A programação do Sarau ainda conta com a presença da cantora Graça Cunha e do violinista Stefanio Faustino, interpretando canções de compositoras brasileiras; a cena performática COMA das atrizes Emanuela Araújo e Fernanda Pérez, além do trabalho "Meu Corpo Minhas Regras" de Jean Carlo Cunha com a participação de Iza Monteiro, alargando as discussões de gênero, narrando sua história como transexual na busca de ser reconhecida como mulher.
         O sarau é aberto será realizado no próximo sábado, dia 30 de maio, a partir das 19h, na Casa das Rosas em São Paulo. O evento é gratuito e todos podem participar. Os ingressos serão distribuídos com uma hora de antecedência e o espaço está sujeito a lotação. A Casa das Rosas fica na Avenida Paulista, 37 - próximo à estação Brigadeiro, do metrô.

Saiba mais sobre os artistas da 3ª edição do Sarau do PI: Literatura de Periferia.

Foto: Adessa Melo
Michele Santos
As palavras escrevem caminhos: foi assim que Michele Santos juntou-se ao time de poetas do Sarau Sobrenome Liberdade, na região do Grajaú, zona Sul de São Paulo (onde atua como organizadora, mas vez-quando suspeita-se mediadora de espantos) e tornou-se educadora nas redes públicas de ensino de São Paulo. Entre saraus e salas de aula, a propagação da literatura atual e atuante é marca e princípio. Marginal, periférico, cânone – quando a palavra fala mais alto, as adjetivações ficam mudas. Por isso acredita no poder da disseminação cultural dos saraus e no ficcional da literatura como estratégia para construir realidades mais dignas, com especial apreço ao que diz respeito à voz feminina inserida no cenário artístico.“Toda via,” seu primeiro livro, está em estágio de edição. Tão logo venha: palavra de mulher.

Foto: divulgação
Jéssica Balbino
Jornalista, mestranda em comunicação pelo Labjor/IEL da Unicamp, criadora do Margens,  editora do site G1, pesquisadora, amante, apaixonada, entusiasta da literatura marginal/periférica/contemporânea brasileira. Viciada em saraus, poesia e livros. Participa com rigor de debates sobre cultura, arte, direitos humanos, literatura, feminismo e periferia. Especializada em jornalismo literário/digital e comunitário, produtora cultural com vivência intervenções, cursos e saraus. Produtora e assessora de imprensa e comunicação do Inquérito desde 2010 e das atividades e campanhas ligadas ao grupo desde então. Como a campanha de combate ao álcool “Um Brinde“, a criação do livro #PoucasPalavras, de Renan Inquérito e a criação, produção e comunicação do sarau Parada Poética. Autora dos livros Traficando Conhecimento (Aeroplano, 2010) e Hip-Hop: A Cultura Marginal (Independente, 2006), além de participar como coautora de diferentes obras vinculadas à literatura marginal e ao hip-hop. Revisou os livros “100 contos por 10 contos trocados”, “Troco um causo por um conto” e “Quase”, de Daniel Viana, inspirados em intervenções urbanas e micronarrativas. Membro dos coletivos Frente Nacional de Mulheres do Hip-Hop (FNMH²), Hip-Hop Mulher e Mjiba. Ministra oficinas, workshops e palestras sobre jornalismo hip-hop, literatura periférica e cultura marginal, além de escrevo eventualmente sobre hip-hop e literatura marginal para o site Bocada Forte. Produz também o documentário “Cada Canto Um Rap, Cada Rap Um Canto’, com Renan Inquérito e Vras77. Já escreveu para veículos especializados como Portal e revista RAP Nacional, Viva Favela, jornal Boletim do Kaos, para o número especial da Revista da Cooperifa e para uma edição do O Menelick – 2º Ato, com reportagem sobre a Livraria Suburbano Convicto, além de uma reportagem sobre o mesmo tema para a Revista Overmundo.

Foto: Ed Santana
COMA – Cena Performática
COMA é uma cena performática sobre questões do universo feminino e a marginalidade como o aborto ilegal e moradoras de rua. Criada pelas atrizes Emanuela Araújo e Fernanda Perez, a cena começa na Avenida Paulista e invade o espaço da Casa das Rosas, aguçando a curiosidade dos transeuntes e surpreendendo o público do sarau. Para ilustrar o tom de COMA, as criadoras reconstroem um trecho da peça Gota D’Água: Cuspe, veneno, carne, moinho, dor, cebola, coentro, gordura, sangue frio no centro de uma mesma mesa. Misture inverta. Moer a carne. Sangrar o unguento. Envenene. Unguento uma baba grossa e escura. Paladar violento, engolindo a criatura, co' a morte lenta e segura.






Foto: divulgação
Graça Cunha
Iniciou sua carreira em 1993, como solista no Musical Noturno de Oswaldo Montenegro, na Oficina dos Menestréis. Em sua trajetória, a cantora possui mais de 2000 trabalhos que foram ao ar (entre jingles e locuções para TV, Rádio e Cinema), assim como participações em CDs de artistas de renome, como Rita Lee, Jota Quest, Skank, Paulo Miklos, entre outros. Fez participações  em CDs lançados no Exterior, como Eletrobossa   Nights (Azul Music) e Brazilian Divas (Experience Records, lançado apenas no Japão), e no Brasil, nos CDs Cartola para Todos (MCD), Um olhar  Corciolli (Azul Music) e Rio 58  Roberto Coelho (MCD). Sua voz também se faz presente nos Documentários Pelé Eterno (2004), Cantoras do Rádio (Nov./2008) e Fiel, o Filme   documentário sobre o Corinthians, lançado em Abril/2009. Graça também integra desde Setembro de 2005, a Banda do Programa Altas Horas do Apresentador Serginho Groisman, que vai ao ar nas madrugadas de Sábado na Rede  Globo, com reprise aos Domingos às 16h30 pelo Canal  Multishow. Em 2007, lançou seu primeiro CD Solo De Virada, pela Gravadora Azul Music. Com este álbum, Graça Cunha foi indicada ao Grammy Latino em 2 categorias: Melhor CD de MPB e Artista Revelação. Também recebeu uma honrosa crítica de Nélson Motta ao seu trabalho, no Programa Sintonia Fina, que vai ao ar pela Rádio Eldorado FM. Lançou seu álbum Tiro de letra em dezembro de 2011

Foto: Roni Adame | divulgação
Meu corpo, minhas regras
A ação Meu Corpo Minhas Regras, de Jean Carlo Cunha do Coletivo PI, que acompanha as edições do sarau, agora recebe a narrativa de Iza Monteiro, contando sua trajetória para ser reconhecida como mulher, alargando as discussões de gênero. O trabalho questiona os padrões e imposições da cultura quanto ao uso do corpo. Trate-se de ações poéticas que dialogam com as questões em torno do universo feminino, onde a decisão do uso do corpo, deve ser pessoal e intransferível, nem da igreja, nem da família e nem do Estado. É uma frase que surge em meados de 2012 no movimento "Marcha das Vadias", e desde então é usada para uma série de protestos e manifestações feministas.


Talita Mochiute (mediadora)
Jornalista, possui graduação em Letras pela USP e Mestrado em Teoria Literária e Literatura Comparada com pesquisa em torno da obra Coetzee, com enfoque na figura do narrador. Tem experiência profissional na área de Jornalismo e Editoração. É parceria do Coletivo PI no Sarau de Literatura Feminina Contemporânea, assinando a curadoria em literatura e a mediação da conversa com as autoras.

10.5.15

Sarau do PI sobre Literatura Erótica, na Casa das Rosas



Foto: Roni Adame
Casa das Rosas foi pequena pra um assunto tão cheio de tesão. 

         Apesar dos tabus,discursos moralistas (ou falso moralistas), uma coisa é certa: sexo, fetiche, libidos, perversões, tesão ou qualquer outra palavra que você queria sugerir dentro do universo do erótico, sempre vai despertar, no mínimo, curiosidade. Nossas tensões e pulsões estão aí. Não dá pra fugir delas e estas são saudáveis e necessárias. Foi essa a tônica da segunda edição do Sarau do PI, sobre literatura erótica, na Casa das Rosas, realizado no último dia 25 de abril. O espaço foi pequeno pra tanta gente interessada nas conversas e performances que aconteceram neste dia. O Sarau praticamente se desmembrou em dois: um dentro da Casa das Rosas e outro na varanda da casa.

         As pessoas entraram e, sem nenhum aviso anterior, foram recebidos por Sweetie Bird, descendo da escadaria e se despindo para todos ao som de Ella Fitzgerald. A noite seguiu com o bate papo das autoras Ana Rusche e Juliana Frank. A conversa foi conduzida pela editora e mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada, Talita Mochiute e por Pâmella Cruz, diretora do Coletivo PI. As autoras falaram trechos de suas obras e conversaram sobre o lugar da mulher na literatura e, principalmente, no ambiente erótico e se realmente deveria haver esse tipo de subdivisão na literatura.

The Lap Dance Is Present. Foto:Roni Adame
         Enquanto o bate papo acontecia dentro da Casa, o performer Marcelo D'Avilla, recebia o público em sua performance "The Lap Dance Is Present". Uma pessoa sentava numa cadeira, colocava um fone de ouvido onde tocava uma música do repertório do performer que ouvia exatamente a mesma música. Apenas os dois ouviam a melodia e quem ousava sentar naquela cadeira recebia uma dança individual do performer Marcelo, criada a partir do estímulo do espaço, da música e de quem estava a sua frente.

         Após a primeira abertura de microfone, todos foram para o lado de fora da casa assistir a ação Banquete ObseNU, com Marose Leila e Barros Batista. As pessoas se acomodaram aonde tinha espaço e a apresentação foi um sucesso. Após a ação, dentro da casa novamente, foi exibido o vídeo Amor [Sem Título], de Priscilla Toscano. A tela pintada a partir da performance que deu origem ao vídeo permaneceu em exposição durante todo o sarau. A diretora conduziu um bate papo sobre seu trabalho com os interessados e, após esse momento, Marcelo D'Avilla, também conhecido como Sete de Ouros, esperava a todos no jardim da Casa das Rosas para apresentar a performance Kátia Flavia.

         Esta edição do Sarau foi, literalmente, GOSTOSA!!! Muitas pessoas falando de um assunto que gera uma arte às vezes subjulgada, mas que possui, na verdade, força e beleza. A próxima edição do Sarau do PI será dia 30 de maio. O tema será Literatura Marginal.

Confira as imagens do II Sarau do PI - Literatura Feminina Contemporânea

LITERATURA ERÓTICA

Fotos: Roni Adame


Por Chai Rodrigues