A intervenção urbana é uma forma de arte cujo objetivo é interagir, de maneira criativa e poética, com o espaço cotidiano e as pessoas. As intervenções são capazes de reinventar, ainda que momentaneamente, novos sentidos ao espaço escolhido e suscitar novas percepções às pessoas.

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29.2.16

Entre Saltos no centro de São Paulo

Foto: Rodrigo Dionisio
Performance Entre Saltos do Coletivo PI retorna às ruas do centro de São Paulo no mês das mulheres.

No mês das mulheres, as ruas do centro de São Paulo recebem pela segunda vez a performance urbana Entre Saltos do Coletivo PI, dentro da programação do Centro de Referência da Dança. A ação é um convite para refletir sobre as questões de gênero e a relação do feminino com a cidade.
        
            Entre Saltos é uma performance urbana do Coletivo PI que aborda o gênero feminino no mundo contemporâneo. A performance trata da construção da feminilidade bem como a imagem do feminino em relação à esfera pública. A ação se dá em forma de uma caminhada, com muitas pessoas, com um sapato de salto alto no pé e outro na mão, que pretende enfatizar o equilíbrio e o desequilíbrio enfrentados pelo feminino na metáfora do “sapato de salto alto”, e propõe colocar a rua como extensão do corpo e da vida. Ao término, as performers constroem poeticamente uma instalação em site specific com os sapatos utilizados durante a caminhada. Segundo a integrante do Coletivo PI, Natalia Vianna “A instalação é uma forma de deixarmos nossa marca na cidade, um vestígio da passagem do coro. Por isso ela é única em cada trajeto realizado”.

        
Entre Saltos em São Paulo, 2014.
Foto: Eduardo Bernardino.
Em 2014, Entre Saltos percorreu quatro cidades brasileiras através do Prêmio Funarte Mulheres nas Artes Visuais: São Paulo/SP, Campinas/SP, Porto Alegre/RS e Salvador/BA. A experiência destas cidades gerou o documentário "Entre Saltos", que foi exibido em algumas unidades do SESC - SP. Em 2015, durante o mês de março, Entre Saltos fez parte da programação "Mulheres em Cartaz" do Sesc Belenzinho - SP, culminando com a performance ocorrida no Dia Internacional da Mulher (08 de março). Em agosto as cidades de Teresópolis e Nova Friburgo receberam a ação. Ao todo, cerca de 250 pessoas já participaram da intervenção. A performance acontecerá, novamente, no centro de São Paulo no dia 12 de março saindo às 15h do Centro de Referência da Dança.  
           
         Antes da performance, o Coletivo PI realiza uma oficina preparatória, para as pessoas interessadas em participar da performance. A oficina acontecerá no Centro de Referência da Dança, das 18h às 21h, durante três dias. Durante a atividade, serão expostos os conceitos sobre a intervenção urbana e jogos performativos em coro que visam a preparação para a caminhada pela cidade. Para participar da performance, não é necessário ser artista. Os únicos requisitos são participar dos três dias de oficina preparatória e trazer um par de sapatos de salto alto preto que possa ser doado para compor a instalação. As atividades são gratuitas e o figurino é de responsabilidade do Coletivo PI.
“Entre Saltos é uma performance para ser realizada por artistas e não artistas, performers e não performers. Qualquer pessoa interessada nesse tipo de manifestação artística pode se inscrever para participar das oficinas preparatórias. É uma ação que não está restrita apenas às mulheres, e sim a qualquer pessoa interessada em refletir sobre o gênero feminino. O salto alto é o elemento principal dessa performance, pois o elegemos como símbolo para discutir os vários papéis da mulher na sociedade. Trata-se de uma provocação sobre o constante subir e descer do salto , metáfora do equilíbrio e desequilíbrio, da força e fragilidade que permeiam o universo feminino.” explica Priscilla Toscano, diretora do Coletivo PI.
        
Para participar é preciso preencher o formulário de inscrição disponível [aqui] ou fazer a inscrição pessoalmente no Centro de Referência da Dança (segunda á sábado das 10h às 20h e domingo das 10h às 18h).

Sobre a oficina de performance urbana:

Foto: Rodrigo Dionisio
Todos os participantes da oficina, artistas e não artistas serão preparados para a realizar a performance Entre Saltos. Os encontros acontecerão no Centro de Referência da Dança e serão conduzidos pelas artistas do Coletivo PI, Priscilla Toscano e Natália Vianna. Na primeira parte da oficina ocorrerá a análise e debate sobre algumas das principais referências da intervenção urbana artística e suas relações com o teatro, a dança, a performance e as artes visuais com ênfase na produção de artistas mulheres. O material que será apresentado busca destacar ações performativas que problematizem as relações entre performance e cidade estimulando os participantes a discutirem novas práticas artísticas que ressignifiquem e criem relações afetivas com o espaço urbano. Na segunda parte dos encontros serão realizados jogos performativos coletivos dentro da sala e no espaço urbano com o intuito de desenvolver a conexão do grupo e criar repertório de ações e símbolos à partir da questões que envolvem a performance Entre Saltos. Durante a oficina os participantes provarão o figurino que é cedido pelo Coletivo PI e para participar precisam trazer um sapato de salto alto preto.

ENTRE SALTOS
Oficina de Performance Urbana
Data: 09,10 e 11 de março (quarta, quinta e sexta-feira)
Horário: das 18h às 21h
Local: Centro de Referência da Dança de São Paulo
Endereço: Baixos do Viaduto do Chá s.n., Galeria Formosa – Centro SP (antiga Escola Municipal de Bailado)
Indicação: à partir dos 15 anos (menores de idade precisarão de autorização do responsável)
Inscrições: pela internet através do formulário eletrônico disponível no blog do Coletivo PI ou pessoalmente no Centro de Referência da Dança de segunda a sábado das 10h às 20h e domingo das 10h às 18h.
Ministrantes: Priscilla Toscano e Natalia Vianna

Conteúdo/Programação: Introdução à Intervenção Urbana; Exposição de fotografias e vídeos de algumas das principais referências sobre a linguagem e suas relações com o teatro, a dança, a performance e as artes visuais; Discussões sobre o universo feminino, o corpo da mulher e a cidade; Exercícios práticos performativos centrados no conceito de coralidade e preparo para atuar na rua; Orientação sobre a caminhada com o sapato de salto e a construção da instalação de Entre Saltos; Prova de figurinos. Participantes devem trazer um sapato de salto alto preto que possa ser doado para compor a instalação.

Performance urbana Entre Saltos
Data: 12 de março (sábado)
Horário: das 13h às 18h30 (ENTRE SALTOS tem duração de 2 horas. Este horário compreende preparação – performance – desmontagem)
Local/Trajeto: A concentração e a saída do grupo será no Centro de Referência da Dança. O trajeto da performance percorrerá diversos pontos do centro da cidade de São Paulo
Saída da Intervenção: 15h

FICHA TÉCNICA ENTRE SALTOS
Criação e realização: Coletivo PI
Direção: Priscilla Toscano
Assistente de direção: Natália Vianna
Performers: Priscilla Toscano, Pâmella Cruz, Natália Vianna, Chai Rodrigues + participantes da oficina.
Direção de produção: Priscilla Toscano
Assistente de produção: Mari Sanhudo
Apoio técnico: Chai Rodrigues e Jean Carlo Cunha
Comunicação: Pâmella Cruz e Chai Rodrigues
Assessoria de imprensa: Luciana Gandelini

1.8.15

Entre Saltos no Performance Contemporary Almanac 2015

A publicação reúne mais de 250 artistas da Performance no mundo. O projeto também propõe a quebra do monopólio de editoras e pesquisadores.

Uma iniciativa da Contemporary Performance, de Nova Iorque, no EUA, vem reunindo artistas da performance de várias nacionalidades e estilos para promover e registrar seus trabalhos. A instituição lançou em 2013 o projeto "Contemporary Performance Almanac", uma publicação anual de trabalhos na área da Performance Arte. A primeira edição foi publicada em 2014. O Coletivo PI participa da segunda edição, em 2015, com a performance Entre Saltos.
Capa do Almanaque 2015

A grande valia do projeto está na forma de inserção dos trabalhos. Ao invés dos artistas terem que esperar por um grupo de pesquisadores e uma editora interessados em financiar o projeto, todo ele foi desenvolvido de forma coletiva tendo a Contemporary Performance como organizadora. Os artistas interessados produzem o conteúdo que tenham interesse em apresentar dentro dos limites de páginas, caracteres e imagens disponíveis pela Organização. Então, os artistas fazem o pagamento de uma taxa para publicação. Se este quiser ainda uma, duas ou três cópias do almanaque, pode fazer o pagamento proporcional. O almanaque é produzido e fica disponível para compra pela internet. Os conteúdos dele ainda ficam disponíveis no site da instituição. Mais de 250 artistas de todo o mundo compartilharam seus trabalhos nesta segunda edição. Entre eles, artistas e coletivos de performance brasileiros. Além do Coletivo PI, mais 17 artistas do Brasil estão no almanaque, como Marcelo D'avilla e Fe Vas.

Foto de Eduardo Bernardino que ilustra a
Performance Entre Saltos no Almanaque.
O Coletivo PI publicou a performance Entre Saltos nas páginas 56 e 57. A apresentação foi estruturada com um resumo do grupo, o conceito da Performance e a sua trajetória em 2014, quando percorreu quatro cidades do Brasil pelo Prêmio Funarte Mulheres nas Artes Visuais.

Os interessados já podem preparar materiais para a edição de 2016. O almanaque é escrito em inglês. Os artistas devem enviar textos obedecendo o limite de caracteres oferecido para publicação, enviar uma foto e dispor um link em vídeo do seu trabalho mais contatos como site, e-mail e redes sociais. A Contemporary Performance é uma organização americana que funciona como uma rede social e plataforma de organização comunitária de trabalhos, pesquisas, festivais, publicações e mais informações sobre a Performance Arte.


Para adquirir o Performance Contemporary Almanac 2015 pela internet: amazon.com/Contemporary-Performance-Almanac-2015

Por Chai Rodrigues

17.3.15

Corpos femininos em cores, formas, música e dança

Foto Roni Adame 
Coletivo PI une diversas áreas das artes para compor a performance Contornos. 
  
Carimbar muros da cidade com as marcas de corpos, imprimindo cor e movimento, usando a materialidade do corpo como instrumento principal para feitura da tela, deslocando a importância da obra para o momento de sua criação. Esta é a base da construção da performance Contornos, do Coletivo PI. Em janeiro deste ano o Coletivo realizou a performance no Sesc Ipiranga onde já apresentou mudanças consideráveis em relação à primeira apresentação feita no Sesc Vila Mariana em 2014, durante a Virada Cultural.

Contornos é um misto de música, dança, stencil e artes visuais, brincando com as várias linguagens que compõe com a paisagem urbana da cidade e reafirma que as ruas são para brincar, espaços lúdicos e de encontro, onde o coletivo pretende deixar sua marca. É uma reflexão poética sobre o corpo/matéria e a identidade/feminilidade. A performance encara o corpo como território, a materialidade de nossa existência e pensa sobre os contornos femininos, como eles definem e segregam, quais as possibilidades transitórias de um corpo que é território, quais os carimbos que são deixados ou levados na relação com a cultura/cidade, que também é território, porém coletivo.

Foram duas apresentações, dias 11 e 25 de janeiro. A pintura foi realizada na área das docas onde tapumes foram utilizados como telas. O público pode assistir a ação na rua dos Patriotas, onde o acesso dos carros é impedido e o passeio dos pedestres é permitido. Assim, tanto pessoas que foram para o Sesc para assistir a performance quanto pessoas que estavam simplesmente passeando pelo bairro acompanharam a ação das performers. As telas permaneceram expostas até o mês de fevereiro nos portões da unidade. O registro da primeira ação foi feito pelo fotógrafo Roni Adame que afirma:

Foto Roni Adame
“Fotografar a performance Contornos é e sempre será um desafio e também um risco. Conseguiria a fotografia retratar fielmente a expressão e o questionamento poético tão bela e dramaticamente expressados na performance? Subjetivo. Ao mesmo tempo, registrar a construção gradual de uma linguagem feita de gestos, formas e cores, sem nunca saber o que ali irá nascer, torna o experimento fotográfico extremamente sedutor, prazeroso e muito gratificante”. Roni Adame

Ficha técnica Contornos - Sesc Ipiranga
Criação e Produção Geral: Coletivo PI
Performers: Chai Rodrigues, Emanuela Araújo, Natalia Vianna, Pâmella Cruz e Priscilla Toscano
Preparador Corporal: Marcelo D'Ávilla
Coreografia: Ednei Reis
Equipe de Produção: Jean Carlo Cunha, Mari Sanhudo e Rodrigo Spavanelli


Imagens performance Contornos - Sesc Ipiranga
Fotos: Roni Adame

11.3.15

Saltos ecoam no chão e cortam o ar

Performance no viaduto Dom Luciano Mendes de Almeida
Foto: Rodrigo Dionisio/Frame
O coro de Entre Saltos caminhou pela zona leste de São Paulo expondo a potência do feminino.

No dia 08 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher. A primeira pessoa a sugerir esse dia foi a jornalista e professora Clara Zetkin na Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, em 1910 na cidade de Copenhague, Dinamarca. Eram anos de grandes transformações no mundo e no comportamento das pessoas. O dia internacional da mulher era o marco de lutas pela igualdade de direitos ocorrida durante todo o ano e que reverberam na organização da sociedade hoje. Hoje há certo esvaziamento nesta data que é marcada por presentes, flores, cartões online e matérias falando sobre a ‘força da mulher’. Questionamentos e lutas por uma igualdade, ainda muito longe de ser alcançada, perderam um pouco esse espaço, mas ainda persistem algumas iniciativas e pessoas que continuam o legado.

 Durante o mês de fevereiro até abril de 2015, o Sesc Belenzinho promove o projeto Mulheres em Cartaz que debate, por meio de uma ampla programação e convidados das mais diversas especialidades, o contexto feminino hoje. Neste universo, a performance Entre Saltos, do Coletivo PI, foi inserida. A ação reuniu cerca de 30 pessoas decididas a agir e pensar por meio da arte o que é isso que chamamos de feminino; o que se quer dizer quando é mencionada a palavra mulher e que luta é essa, e pra quem ela é direcionada, do gênero feminino. Muitas questões herdadas e ressignificadas ao longo desses mais de 100 anos de questionamentos oficializados.

Performance subindo a estação Belém do metrô.
Foto: Rodrigo Dionisio/Frame
Dentro da performance participaram pessoas de várias idades, gêneros e formações. As oficinas preparatórias ofereceram ao Coletivo uma nova possibilidade de estética e fruição da intervenção. Num jogo de ‘coro e corifeu’* gestos foram sugeridos com os sapatos levados à mão durante a caminhada. Durante a performance no dia 08, essa condução de gestos foi dividida entre as participantes. Imagens lindas e poéticas surgiram a partir desse jogo entre as performers. O sapato, símbolo da feminilidade e, neste contexto, também símbolo de desequilíbrio, ganhou novas formas e interpretações: foram armas, pesos, filhos, extensores de braços, baquetas para produzir sons na cidade e produziram uma marcha forte que ecoou pelas ruas da região.

Entre Saltos saiu da unidade do Sesc, atravessou a estação de metrô Belém, entrou no bairro, passou por cima da Avenida Salim, caminhou e atravessou a estação Tatuapé e voltou pelo viaduto Dom Luciano Mendes de Almeida, passando pelo Cemitério da Quarta Parada até chegar ao Sesc novamente. Após o percurso, os sapatos foram instalados na escadaria principal do Sesc Belezinho como uma cascata de pés em posição de caminhada. A instalação deve permanecer no espaço até o final do ‘Mulheres em Cartaz’, mas o percurso a ser seguido por mulheres pela igualdade de gêneros, inclusive na produção artística, ainda é um caminho de subidas e descidas constantes.  

Instalação dos sapatos ao final da caminhada.
Foto: Rodrigo Dionisio/Frame

Performance Entre Saltos
08|03|2015
Fotos: Rodrigo Dionisio/Frame


*’Coro e corifeu’ é um dos nomes de um exercício geralmente aplicado para treinamento em teatro e performance de atuadores. Consiste em uma pessoa a frente das outras que propõe um gesto ou movimentação e o restante do grupo deve segui-lo até que o comando do jogo seja passado para outra pessoa que repete a dinâmica. 

Por Chai Rodrigues

6.3.15

Oficina para a performance Entre Saltos no Sesc Belenzinho

Foto: Pâmella Cruz
Em três dias de atividades no Sesc Belenzinho, a performance se renova e propõem outras formas de ser e estar na cidade.

Desde fevereiro deste ano o Coletivo PI encontra-se no Sesc Belenzinho para preparar a performance Entre Saltos, a ser realizada no próximo domingo, dia 08 de março. A ação faz parte da programação especial da unidade do Sesc ‘Mulheres em Cartaz’. Dia 01/03, terceiro dia de preparação, foi marcado pelas práticas de formação em coro e prova de figurinos e sapatos. O primeiro exercício com o coro composto na oficina utilizou o espaço do prédio para desenvolver a forma como a performance irá ocorrer no dia internacional da mulher.

Experimentos com o sapato. Foto: Pâmella Cruz
Esta será a quinta vez que a performance será executada. A primeira ação de Entre Saltos foi realizada em 22 de fevereiro de 2014, abrindo o Prêmio Funarte Mulheres nas Artes Visuais. Desde então o trabalho amadureceu em estética e em significados, uma obra que a princípio era direcionada a mulheres agora recebe todas as pessoas que tenham interesse em pensar o universo feminino. A proposta do Coletivo para os participantes também é experimentar outras formas de posicionamento na cidade por meio do desequilíbrio provocado pela ausência de um sapato nos pés.

A performance Entre Saltos ocorrerá no próximo dia 08 de março – próximo domingo -, saindo às duas horas da tarde do Sesc Belenzinho e percorrerá as ruas e avenidas entorno da unidade. O Sesc fica localizado na Rua Padre Adelino, nº1000 – Belém (próxima a estação Belém do metrô).

Por Chai Rodrigues

19.2.15

Performance Entre Saltos volta a ser realizada em São Paulo durante o mês da mulher

Entre Saltos em São Paulo - fevereiro de 2014.
Foto: Eduardo Bernardino
Depois de percorrer três Estados brasileiros em 2014, Entre Saltos volta a ser realizada em São Paulo no mês da mulher.

No próximo dia 08 de março, dia internacional da mulher, o Coletivo PI realizará a performance Entre Saltos na cidade de São Paulo. A intervenção faz parte da programação do projeto Mulheres em Cartaz, um ciclo de encontros e eventos sobre o feminino realizado pelo Sesc Belenzinho entre fevereiro e abril de 2015.

Entre Saltos é uma performance/intervenção urbana do Coletivo PI que aborda o gênero feminino no mundo contemporâneo. A performance trata da construção da feminilidade bem como a imagem do feminino em relação à esfera pública. A ação se dá em forma de uma caminhada, com muitas mulheres, com um sapato de salto alto no pé e outro na mão, que pretende enfatizar o equilíbrio e o desequilíbrio enfrentados pelo feminino na metáfora do “sapato de salto alto”, e propõe colocar a rua como extensão do corpo e da vida. Ao término, as performers constroem poeticamente uma instalação em site specific com os sapatos utilizados. 

Em 2014, os saltos dos sapatos utilizados na performance
foram aterrados no Vale do Anhangabaú,
centro de São Paulo. Foto: Eduardo Bernardino
“A instalação é uma forma de deixarmos nossa marca na cidade, um vestígio da passagem do coro. Por isso ela é única em cada trajeto realizado, feita em site specific”. Natalia Vianna, diretora de arte do Coletivo PI.



Em 2014, Entre Saltos percorreu quatro cidades brasileiras através do Prêmio Funarte Mulheres nas Artes Visuais: São Paulo/SP, Campinas/SP, Porto Alegre/RS e Salvador/BA. A experiência destas cidades gerou o documentário "Entre Saltos", que foi exibido no Sesc Belenzinho no dia 11/02/2015, dentro da programação Mulheres em Cartaz. Ao todo, cerca de 150 pessoas já participaram da intervenção reunindo as quatro cidades do Brasil por onde Entre Saltos já passou.

Para participar da performance, não é necessário ser artista. Os únicos requisitos são participar dos dois dias de oficina preparatória no Sesc Belenzinho dias 21/02 e 01/03, e trazer um par de sapatos de salto alto preto que possa ser doado para compor a instalação final.

A performance será realizada no dia 08/03, dia da mulher, e percorrerá os arredores do Sesc Belenzinho.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pessoalmente no Sesc Belenzinho (1º pavimento) ou online, por meio do preenchimento da ficha disponível no link abaixo.

Inscrição aqui

Cronograma de atividades:
Dia 21/02. Sábado, das 14h30 às 18h30.
Local: Sala Oficina 2 – Sesc Belenzinho
Primeiro dia da Oficina Preparatória: Exposição do que é intervenção urbana, referências de artistas que também produzem performances e intervenções ligadas ao universo feminino; a investigação do Coletivo PI para interferir na cidade através da performatividade; o que é Entre Saltos; vídeos das outras edições; questões que permeiam a ação (gênero, feminilidade) e conhecimento geral do grupo.

Dia 01/03. Domingo, das 14h30 às 18h30.
Local: Sala Oficina 3 – Sesc Belenzinho
Segundo dia da Oficina Preparatória: Prova de Figurino: cada participante é orientado a escolher sua roupa; Prática Corporal: exercícios corporais para preparo do coro, ritmo coletivo, andar em desequilíbrio, uso dos sapatos em caminhada.

Dia 08/03. Domingo, das 11h às 17h.
Local de encontro para preparação: Sala Oficina 3 – Sesc Belenzinho
Intervenção (em torno de 6 horas que compreende duas horas de preparação - performance e desmontagem). A performance percorrerá trechos do bairro. O trajeto será divulgado na oficina.

Fazemos um estudo de trajeto para a performance de maneira que este seja adequado em duração e distancia para qualquer tipo de pessoa, geralmente a performance dura entre 1h30min e 2h. Por isso os participantes devem chegar mais cedo para se prepararem, pois durante a ação não há pausa”. Chai Rodrigues, produtora cultural do Coletivo PI.

O Sesc Belenzinho fica localizado na Rua Padre Adelino, nº 1000, Belém (próximo a estação Belém do metrô).

Teaser do documentário da performance Entre Saltos


24.5.14

Entre Saltos, em Salvador, encerra projeto pelo Prêmio Funarte Mulheres nas Artes Visuais

Foto: Milla Carol

Dia de sol e calor recebeu o coro de performers pelas principais ruas da cidade

Dia 23 de abril é dia de São Jorge. Segundo a crença popular, todo dia 23 ele passeia pela terra para verificar como estão as pessoas que tem fé nele. Desde o início do projeto Entre Saltos, São Jorge foi escolhido como o protetor dos homens e mulheres participantes desta caminhada. Escolhido talvez não seja a palavra, ele se fez presente por meio da fé. Ontem, 23 de maio de 2014, dia da ilustre visita, o Coletivo PI encerrou o projeto Entre Saltos na cidade de Salvador, Estado da Bahia. São Jorge estava lá, ao lado, protegendo a todos. O resultado não poderia ter sido melhor: Mais de trinta pessoas estiveram presentes, entre mulheres e homens.

Foto: Milla Carol
Definir o trajeto e o local da instalação foram os principais desafios da produção. A cidade é grande, cheia das obras em andamento, calçadas estreitas, possui diversos pontos possíveis para encerramento da ação e muita gente nas ruas. O coro saiu do Espaço Xisto, no bairro Barris às quatro horas da tarde, seguiu pela rua Sete de Setembro até chegar ao Pelourinho, um dos maiores centros de turismo do Brasil, berço de grande parte da história da Bahia. Uma hora e meia depois, a finalização foi no Dique do Tororó, lago que possui estátuas dos orixás, inclusive Ogum, representação de São Jorge na crença de matriz africana. Os performers fizeram um trançado de sapatos à margem do lago. Segundo a diretora do Coletivo PI, Pâmella Cruz, encerrar a performance em um lago foi importante por ser a água um local inédito e por esta ser um condutor natural de energia.

Durante essas quatro performances dentro do Prêmio Funarte Mulheres nas Artes Visuais, do Ministério da Cultura, o principal diferencial e trunfo do projeto foram as pessoas. Tanto os parceiros nas cidades auxiliando a produção quanto e, principalmente, as pessoas atuantes como performers. O atravessamento de sensações, histórias e objetivos ocorreu pelas duas vias: dos propositores do Coletivo PI para os participantes das oficinas e destes em direção ao Coletivo. Tantos sapatos, tantas passadas, cores e reflexões dos seres que ensinaram mais do que imaginam, por que o coro estava presente e era forte. Daqui pra frente, quase 150 mulheres e homens presentes na performance (inclusive São Jorge) pelas quatro cidades caminharão de outra maneira, porque a própria noção pura de ‘mulher’, ‘homem’, ‘gênero’, ‘ser’ foi questionada. Além disso, o conceito do que é espaço urbano, público, privado e arte foram colocados em cheque. São Jorge veio, participou, viu que estava tudo bem mesmo com o desequilíbrio pelo caminhar, mas a forma de pisar e, mais importante, continuar seguindo mudaram radicalmente.

Por Chai Rodrigues


FOTOS DA PERFORMANCE ENTRE SALTOS EM SALVADOR
Fotos: Milla Carol

Foto: Milla Carol

Foto: Milla Carol

4.5.14

Coletivo PI leva as ruas de Salvador a performance urbana Entre Saltos

Performance Entre Saltos em São Paulo
Foto Eduardo Bernardino
Em parceria com o Espaço Xisto “Entre Saltos” propõe reflexão sobre a construção da feminilidade nos dias atuais.

A peformance urbana Entre Saltos, do Coletivo PI, será realizada na capital baiana no dia 23 de maio com o apoio do Espaço Xisto e colaboração do Coletivo Osso. A ação faz parte do projeto vencedor do Prêmio Funarte Mulheres nas Artes Visuais, que visa ampliar as discussões e as manifestações artísticas sobre o papel da mulher contemporânea.

O projeto realizado em São Paulo, Campinas e Porto Alegre, agora encerra o prêmio invadindo as ruas de Salvador, convidando mulheres, acima de 18 anos, pessoas do gênero feminino, artistas locais a refletir sobre a construção do feminino nos dias atuais.

Performance Entre Saltos em Porto Alegre
Foto Luísa Gabriela
Entre Saltos mostra um coro de mulheres caminhando pelas ruas com vestidos em tons de vermelho, vinho e rosa, com um salto no pé e outro na mão. A ação se dá em forma de um desfile público, de muitas mulheres, revelando o que está entre os saltos, a beleza da mulher comum, que procura se equilibrar nas diferentes esferas de sua vida e das exigências de uma sociedade cada vez mais voltada para o culto ao corpo.  Assim, um salto no pé e outro na mão é metáfora para esta constante caminhada de equilíbrio/desequilíbrio da vida moderna: a mulher que deve ser a melhor profissional, a mãe amorosa, a esposa atenciosa, a filha sempre prestativa e a amante sempre linda e desejável. De forma poética a performance questiona essas imposições e a construção da imagem do feminino, terminando a caminhada com uma instalação feita com os saltos usados pelas participantes.

“Finalizamos o projeto Entre Saltos com o apoio do Prêmio da Funarte em Salvador. Esperamos que seja uma experiência artística e coletiva tão rica como nas outras cidades. A cada local que passamos, descobrimos novas histórias, construímos um coro de pessoas com tantas motivações, reflexões sobre as questões de gênero, sobre o que é ser mulher hoje, e partilhamos tudo isso. A performance Entre Saltos é única a cada cidade. E o vídeo, resultado desta trajetória, cruzará as histórias, as imagens das quatro cidades”. Afirma Pâmella Cruz, diretora do Coletivo PI.

A oficina de Intervenção Urbana ocorrerá no Espaço Xisto dias 20, 21, 22 das 19h às 22h. Para participar do “Entre Saltos” basta ter idade acima de 18 anos, preencher o formulário disponível aqui no no site do PI e comparecer nas oficinas, onde serão expostos os conceitos sobre a intervenção urbana, as provas de figurinos e a preparação para a caminhada pela cidade. Todas as atividades são gratuitas e tanto o figurino quanto os sapatos são de responsabilidade do Coletivo PI.

A performance sairá do Espaço Xisto às 15h e percorrerá o centro histórico da cidade finalizando com uma instalação feita com os sapatos usados na caminhada.


AGENDA ENTRE SALTOS EM SALVADOR/BA

Oficina de Intervenção Urbana
Data: 20, 21, 22.
Horário: das 19h as 22h.
Local: Espaço Xisto - Rua General Labatut, 27 - Barris, Salvador – BA
Ministrantes: Pâmela Cruz e Natalia Vianna
Conteúdo/Programação: Introdução à Intervenção Urbana; Exposição de fotografias e vídeos de algumas das principais referências sobre a linguagem e suas relações com o teatro, a dança, a performance e as artes visuais; Discussões sobre o universo feminino, o corpo da mulher e a cidade; Exercícios práticos performativos centrados no conceito de coralidade e preparo para atuar na rua; Orientação sobre a construção da escultura de Entre Saltos; Prova de sapatos e figurinos.

Intervenção Entre Saltos
Data: 23 de maio
Horário: das 13h às 19h (ENTRE SALTOS tem duração de 1h30. Este horário compreende preparação – performance - desmontagem).
Local/Trajeto: A concentração e a saída do coro serão no Espaço Xisto. O trajeto da performance percorrerá diversos pontos do centro da cidade.
Saída da Intervenção: 15h

Apoio



27.4.14

Encontro de forças e delicadezas


Coro descendo o Viaduto Otávio Rocha
Foto: Luísa Gabriela
Performance Entre Saltos, em Porto Alegre, foi marcada pela participação de mulheres diversas e desequilibradamente lindas.

A intervenção urbana parte de uma inquietação sobre a vida e o espaço que gera uma proposição de ação artística que atravessa o dia a dia da cidade e, na maioria das vezes, some ao final do ato. Existem testes, ensaios, provocações, mas a obra só é possível quando o artista está in loco e pode ver o local, as pessoas que frequentam aquele espaço, qual o ritmo, os cheiros e as cores da cidade. Quando o trabalho se dá em coro é preciso também ver os corpos e os rostos que podem compor uma ação. Não há mapas, rider técnico e mecanismos virtuais de busca e vista suficientes para dar conta do que é o espaço e as pessoas em si.

Entre Saltos cruzando o Theatro São
Pedro. 
Foto: Luísa Gabriela
Quando um grupo está em um espaço desconhecido é preciso um trabalho intensivo de visitas, conversas e ativar todos os sentidos para assimilar o que a cidade diz, o que as pessoas precisam e querem e conciliar com a proposta artística. Desde que o Coletivo PI chegou na cidade de Porto Alegre - RS para realizar a performance Entre Saltos os dias correram rapidamente e os encontros foram arrebatadores. Três dias de oficina, várias caminhadas, fotos, vídeos, afinar detalhes de articulações e divulgação com Coletivo Feminino Plural, que nos apoiou na cidade, várias mulheres e homens determinados e uma grande responsabilidade. Muito trabalho, mas quem se lança às ruas sabe que não há como ser diferente. Todas essas informações podem não mudar a proposta inicial, mas determina o tom, a energia que aquela obra terá. Então, ela se torna única, viva. Desde a oficina era possível perceber a sede das participantes, a vontade de se experimentar como mulher em uma ação como esta. Daí surgiram manifestações artísticas individuais, depoimentos lindos, risos e choros de todos. 

A performance na capital gaúcha foi a mais longa em tempo e trajeto até agora. Mais de duas horas de duração quando o coro saiu da Casa de Cultura Mario Quintana, passando pelo Theatro São Pedro, Viaduto Otávio Rocha, Rua da República entre outros pontos da cidade e caminhou até o Parque Farroupilha, conhecido como Parque da Redenção. Várias mulheres de origens e histórias tão diversas que tornaram a caminhada singular naquele momento, como Carolina Santos, cadeirante vítima de um tiro do ex-namorado há 14 anos por não aceitar o término do relacionamento. Com a ajuda das performers ela fez todo o trajeto com a cadeira de rodas. Também participaram as três gerações de uma família que fizeram toda a caminhada: Dona Diná de Souza, sua filha Heloysa Sanhudo e a neta Mari Sanhudo.

Escultura aos pés de Atena.
Foto: Luísa Gabriela
Além delas cada uma tinha um motivo, um significado só seu para estar alí e cortaram a cidade firmes e belas num desequilíbrio provocado pelo salto que promove inúmeras discussões sobre ser mulher. Ao final do trajeto os sapatos foram erguidos no Monumento ao Expedicionário, localizado no parque da Redenção. O monumento é uma homenagem aos pracinhas da Força Expedicionária Brasileira que morreram na Segunda Guerra Mundial. Em frente aos arcos existe uma escultura que faz referência direta a Atena, a deusa da mitologia grega que representa a guerra, a sabedoria e a estratégia. Uma figura feminina em um universo extremamente masculino. Os sapatos foram pendurados aos pés da deusa que já nasceu adulta e armada, pronta para a luta, segundo uma das versões do seu mito. A escultura permaneceu até o dia seguinte, mas os relatos, as energias, as lembranças e as emoções de Entre Saltos em Porto Alegre permanecerão. As performers mudaram a cidade e a equipe de produção do Coletivo PI, mas também foram atravessadas pelo espaço pelas pessoas que conheceram nesses quatro dias de encontros de forças e delicadezas. Nada será como antes, ninguém saiu ileso.

Por Chai Rodrigues


Confira mais fotos da Performance Entre Saltos em Porto Alegre - Rio Grande do Sul
26/04/2014
Fotos: Luísa Gabriela




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