A intervenção urbana é uma forma de arte cujo objetivo é interagir, de maneira criativa e poética, com o espaço cotidiano e as pessoas. As intervenções são capazes de reinventar, ainda que momentaneamente, novos sentidos ao espaço escolhido e suscitar novas percepções às pessoas.

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21.3.16

Entre Saltos no ventre da São Paulo: sapatos e cabelos unidos para a consagração da ARTEmísia que existe dentro de nós

Mais uma vez realizamos a performance Entre Saltos na cidade de São Paulo. Dessa vez a intervenção foi realizada no centro da cidade. Partimos do Vale do Anhangabaú, em direção ao Mosteiro São Bento e de lá seguimos até a Catedral da Sé e retornamos pela rua Direita, passando pela praça do Patriarca e finalizamos a ação deixando a instalação na Fonte dos  Desejos que fica na escadaria do vale ao lado do Teatro Municipal.
Foto: Rodrigo Dionisio
Foram três dias de oficina de performance urbana ministrados por mim e Natália Vianna. Encontros fundamentais e preciosos para a construção da harmonia, igualdade e  conexão do coletivo que interviu no último sábado, 12 de março pelas ruas do centro.
Eu propus ao grupo uma série de estímulos durante o processo de pesquisa do trajeto que renderam muitas conversas e um espírito criativo necessário a alma de um coletivo de artistas. E assim o grupo decidiu que no caminho seriam deixados rastros da caminhada desequilibrada. Também concordaram que a praça e a catedral da Sé mereciam um “carinho” especial.
Foto: Pedro Vale
 As ideias foram discutidas durante as oficinas. Pessoas tão diferentes em um círculo, mas com ideais idênticos e vontades unificadas a fim de dizer “sim!”.
As quinze horas do sábado o grupo saiu do Centro de Referência da Dança e seguiu em direção ao Vale do Anhangabaú, e logo no início presentearam o Ilustríssimo Senhor Rui Barbosa com uma nova boca. O político ganhou lábios mais carnudos e o batom rosa pink lhe caiu muito bem.
Saltos seguiram marchando e ecoando na imensidão do vale. Uma gari se compadeceu do grupo e por alguns metros decidiu varrer os cacos de vidros que estavam em nosso caminho “Deixa eu varrer para as meninas não cortarem os pés” disse a funcionaria da prefeitura.
Subimos pela escadaria do metrô São Bento para chegar ao Mosteiro e anunciamos essa chegada forjando o som do nosso próprio sino ao bater forte com os sapatos no corrimão de alumínio da rampa de acesso.
E ali no oratório esculpido na parede do Mosteiro, logo abaixo do monumento do santo, eu depositei um sapato de salto alto rosa, o segundo rastro dessa caminhada. Ficou tão bem acolhido ali, que parecia que aquele oratório foi planejado para receber um salto rosa.
Fotos: Rodrigo Dionisio

A poucos metros dali,  na Rua XV de Novembro, a escultura fofa de um anjinho em uma fonte também recebeu lábios cor de rosa choque.
“Prostitutas, obra do demônio personificada na cor escarlate, herege, pomba-gira, vadias...” foi o que ouvimos no final da XV de Novembro, anuncio inicial dos demais discursos feminofôbicos que também ouviríamos por toda Praça da Sé, dos fanáticos religiosos com suas bíblias em mãos.
O grupo das vinte e cinco “vadias” que eu prefiro chamar de “obra da arte personificada na cor escarlate”, ao se dirigir a escadaria da Sé tinha um passo tão firme e uma cor tão vibrante, que parecia que éramos o dobro de nós. Nos posicionamos enfileiradas, ombro a ombro. E como eu disse no inicio tínhamos planejado um “carinho” especial para a Sé. Eu havia dito ao grupo que desejava queimar algo ali. E em meio a diversos palpites surgiu a ideia do Jean Carlo Cunha, integrante do PI: cabelos. Sim, a ideia foi a de cortar pedaços de nossos cabelos, unindo o DNA de todas as Entre Saltos como oferenda para queimar diante do templo do desequilíbrio. “Mas temos que sublimar” acrescentou a Chai Rodrigues, “então vamos defumar, vamos depositar os cabelos em um turíbulo e benzer a Sé com nossas madeixas” concluiu a pisciana.
Foto: Rodrigo Dionisio

Sugeri uma erva para queimar junto com os cabelos, uma erva chamada Artemísia, que possui propriedades ligadas a vibração astral feminina, ao equilíbrio e fortalecedora da feminilidade. Se consumida de maneira inapropriada também pode ser abortiva. Para nossa surpresa, no último dia de oficina a Natália Vianna nos veio com a informação de que no século XVII existiu uma artista chamada Artemísia Gentileschi, uma pintora italiana que foi uma das únicas mulheres a serem mencionadas no ramo da pintura artística do barroco. Ela dedicou-se a temas trágicos em que suas personagens femininas representam papéis de heroínas. Artemísia foi estuprada aos 17 anos por Agostino Tassi, um assistente do ateliê do pai. No julgamento dele torturam-na para julgar a vericidade de sua versão. Não podendo ficar em Roma, foi-lhe arranjado um casamento de conveniência. Separou-se depois de dez anos e partiu rumo à Florença, onde descobriu uma vida empolgante no mundo das artes na Itália do século XVII e, com o crescente sucesso de suas obras, tornou-se a primeira mulher a entrar para a Academia de Arte de Florença. Com essas informações tínhamos certeza de que a erva sugerida por mim seria o melhor ingrediente para misturarmos aos nossos cabelos no turíbulo para benzer toda a Sé. E assim foi feito. Na escadaria, de costas para a catedral, a tesoura passou de mão em mão. Aos poucos o turíbulo foi ficando recheado de fios, cachos e madeixas de diversos tons e cores. Por último despejei a Artemísia, e seguimos espalhando a fumaça da combustão da unificação de nossas células, de nossos anseios e desejos. E seguimos, cruzamos novamente a praça e antes de deixá-la, mais um rastro: o marco zero recebeu também um salto rosa, presentinho do grupo de Artemísias escarlates.
Foto: Rodrigo Dionisio

Foi seguindo pela Rua Direita que percebemos que o salto alto rosa deixado no marco zero ficou pouco tempo ali. Três moradores de rua passaram a nos acompanhar e traziam o sapato rosa. Eles tinham uma garrafa de cachaça e  usavam nosso salto rosa como copo.  A intervenção na intervenção, a performance na performance.
Foto: Cris Fraga


Foto: Pedro Vale












Chegamos na praça do Patriarca e ali nos esperava o aristocrata José Bonifácio. O Patriarca da Independência não podia ficar de fora de nossa criatividade pink, por isso o monumento recebeu um singelo triângulo como adorno. Será que essas meninas querem discutir gênero???? Acho que o Patriarca finalmente sacou que sim.

Foto: Rodrigo Dionisio

Prefeitura, viaduto do Chá, Teatro Municipal e pronto! Chegamos ao ponto de partida e fechamos nosso circuito. Dessa vez a já tradicional instalação de sapatos que marca o fim do trajeto, foi deixada na Fonte dos Desejos, réplica da que existe em Roma, lá as pessoas jogam moedas e fazem pedidos, aqui em São Paulo é um grande mictório a céu aberto. Nossos saltos foram nossas moedas, atiramos em direção a fonte. Em sincronia o grupo jogou os sapatos e ao nosso lado estavam os três moradores de rua com o salto alto rosa, e um deles seguiu os movimentos do grupo e arremessou o sapatinho rosa. E mais uma vez eu confirmei a mim mesma: a beleza da intervenção urbana está na espontaneidade do inesperado que por nós é sempre esperado como válvula de motivação que nos faz seguir intervindo e performando nas ruas.
Por Priscilla Toscano

FICHA TÉCNICA ENTRE SALTOS - Centro de São Paulo - 12.03.2016

Criação e realização: Coletivo PI
Direção: Priscilla Toscano
Assistente de direção: Natália Vianna
Performers: Priscilla Toscano, Pâmella Cruz, Natália Vianna, Chai Rodrigues
Participantes da performance: Adriana Archanjo, Anahy Sales, Andrea Barbour, Andrea Lopes, Douglas Torelli, Elisete Pereira dos Santos, Emanuela Araujo, Evelyn Ramos da Silva, Felipe Gonsalves, Guilherme Novais, Julio Razec, Leandro Brasilio, Manuella Alves da Silva, Marcelo Prudente, Maria Oliveira, Marie Auip, Mellanie Reis, Nathalie Brunetti, Rayssa Avila do Valle, Rosana Pellegrini
Direção de produção: Priscilla Toscano
Assistente de produção: Mari Sanhudo
Apoio técnico: Chai Rodrigues e Jean Carlo Cunha
Comunicação: Pâmella Cruz e Chai Rodrigues
Assessoria de imprensa: Luciana Gandelini




29.2.16

Entre Saltos no centro de São Paulo

Foto: Rodrigo Dionisio
Performance Entre Saltos do Coletivo PI retorna às ruas do centro de São Paulo no mês das mulheres.

No mês das mulheres, as ruas do centro de São Paulo recebem pela segunda vez a performance urbana Entre Saltos do Coletivo PI, dentro da programação do Centro de Referência da Dança. A ação é um convite para refletir sobre as questões de gênero e a relação do feminino com a cidade.
        
            Entre Saltos é uma performance urbana do Coletivo PI que aborda o gênero feminino no mundo contemporâneo. A performance trata da construção da feminilidade bem como a imagem do feminino em relação à esfera pública. A ação se dá em forma de uma caminhada, com muitas pessoas, com um sapato de salto alto no pé e outro na mão, que pretende enfatizar o equilíbrio e o desequilíbrio enfrentados pelo feminino na metáfora do “sapato de salto alto”, e propõe colocar a rua como extensão do corpo e da vida. Ao término, as performers constroem poeticamente uma instalação em site specific com os sapatos utilizados durante a caminhada. Segundo a integrante do Coletivo PI, Natalia Vianna “A instalação é uma forma de deixarmos nossa marca na cidade, um vestígio da passagem do coro. Por isso ela é única em cada trajeto realizado”.

        
Entre Saltos em São Paulo, 2014.
Foto: Eduardo Bernardino.
Em 2014, Entre Saltos percorreu quatro cidades brasileiras através do Prêmio Funarte Mulheres nas Artes Visuais: São Paulo/SP, Campinas/SP, Porto Alegre/RS e Salvador/BA. A experiência destas cidades gerou o documentário "Entre Saltos", que foi exibido em algumas unidades do SESC - SP. Em 2015, durante o mês de março, Entre Saltos fez parte da programação "Mulheres em Cartaz" do Sesc Belenzinho - SP, culminando com a performance ocorrida no Dia Internacional da Mulher (08 de março). Em agosto as cidades de Teresópolis e Nova Friburgo receberam a ação. Ao todo, cerca de 250 pessoas já participaram da intervenção. A performance acontecerá, novamente, no centro de São Paulo no dia 12 de março saindo às 15h do Centro de Referência da Dança.  
           
         Antes da performance, o Coletivo PI realiza uma oficina preparatória, para as pessoas interessadas em participar da performance. A oficina acontecerá no Centro de Referência da Dança, das 18h às 21h, durante três dias. Durante a atividade, serão expostos os conceitos sobre a intervenção urbana e jogos performativos em coro que visam a preparação para a caminhada pela cidade. Para participar da performance, não é necessário ser artista. Os únicos requisitos são participar dos três dias de oficina preparatória e trazer um par de sapatos de salto alto preto que possa ser doado para compor a instalação. As atividades são gratuitas e o figurino é de responsabilidade do Coletivo PI.
“Entre Saltos é uma performance para ser realizada por artistas e não artistas, performers e não performers. Qualquer pessoa interessada nesse tipo de manifestação artística pode se inscrever para participar das oficinas preparatórias. É uma ação que não está restrita apenas às mulheres, e sim a qualquer pessoa interessada em refletir sobre o gênero feminino. O salto alto é o elemento principal dessa performance, pois o elegemos como símbolo para discutir os vários papéis da mulher na sociedade. Trata-se de uma provocação sobre o constante subir e descer do salto , metáfora do equilíbrio e desequilíbrio, da força e fragilidade que permeiam o universo feminino.” explica Priscilla Toscano, diretora do Coletivo PI.
        
Para participar é preciso preencher o formulário de inscrição disponível [aqui] ou fazer a inscrição pessoalmente no Centro de Referência da Dança (segunda á sábado das 10h às 20h e domingo das 10h às 18h).

Sobre a oficina de performance urbana:

Foto: Rodrigo Dionisio
Todos os participantes da oficina, artistas e não artistas serão preparados para a realizar a performance Entre Saltos. Os encontros acontecerão no Centro de Referência da Dança e serão conduzidos pelas artistas do Coletivo PI, Priscilla Toscano e Natália Vianna. Na primeira parte da oficina ocorrerá a análise e debate sobre algumas das principais referências da intervenção urbana artística e suas relações com o teatro, a dança, a performance e as artes visuais com ênfase na produção de artistas mulheres. O material que será apresentado busca destacar ações performativas que problematizem as relações entre performance e cidade estimulando os participantes a discutirem novas práticas artísticas que ressignifiquem e criem relações afetivas com o espaço urbano. Na segunda parte dos encontros serão realizados jogos performativos coletivos dentro da sala e no espaço urbano com o intuito de desenvolver a conexão do grupo e criar repertório de ações e símbolos à partir da questões que envolvem a performance Entre Saltos. Durante a oficina os participantes provarão o figurino que é cedido pelo Coletivo PI e para participar precisam trazer um sapato de salto alto preto.

ENTRE SALTOS
Oficina de Performance Urbana
Data: 09,10 e 11 de março (quarta, quinta e sexta-feira)
Horário: das 18h às 21h
Local: Centro de Referência da Dança de São Paulo
Endereço: Baixos do Viaduto do Chá s.n., Galeria Formosa – Centro SP (antiga Escola Municipal de Bailado)
Indicação: à partir dos 15 anos (menores de idade precisarão de autorização do responsável)
Inscrições: pela internet através do formulário eletrônico disponível no blog do Coletivo PI ou pessoalmente no Centro de Referência da Dança de segunda a sábado das 10h às 20h e domingo das 10h às 18h.
Ministrantes: Priscilla Toscano e Natalia Vianna

Conteúdo/Programação: Introdução à Intervenção Urbana; Exposição de fotografias e vídeos de algumas das principais referências sobre a linguagem e suas relações com o teatro, a dança, a performance e as artes visuais; Discussões sobre o universo feminino, o corpo da mulher e a cidade; Exercícios práticos performativos centrados no conceito de coralidade e preparo para atuar na rua; Orientação sobre a caminhada com o sapato de salto e a construção da instalação de Entre Saltos; Prova de figurinos. Participantes devem trazer um sapato de salto alto preto que possa ser doado para compor a instalação.

Performance urbana Entre Saltos
Data: 12 de março (sábado)
Horário: das 13h às 18h30 (ENTRE SALTOS tem duração de 2 horas. Este horário compreende preparação – performance – desmontagem)
Local/Trajeto: A concentração e a saída do grupo será no Centro de Referência da Dança. O trajeto da performance percorrerá diversos pontos do centro da cidade de São Paulo
Saída da Intervenção: 15h

FICHA TÉCNICA ENTRE SALTOS
Criação e realização: Coletivo PI
Direção: Priscilla Toscano
Assistente de direção: Natália Vianna
Performers: Priscilla Toscano, Pâmella Cruz, Natália Vianna, Chai Rodrigues + participantes da oficina.
Direção de produção: Priscilla Toscano
Assistente de produção: Mari Sanhudo
Apoio técnico: Chai Rodrigues e Jean Carlo Cunha
Comunicação: Pâmella Cruz e Chai Rodrigues
Assessoria de imprensa: Luciana Gandelini

5.11.15

Coletivo PI reestreia peça O retrato mais que óbvio daquilo que não vemos

Apresentações serão no baixo centro de São Paulo e falam sobre a especulação imobiliária da região.
Em 2014 o Coletivo PI movimentou a região da Casa das Caldeiras, zona oeste de São Paulo com a peça O retrato mais que óbvio daquilo que não vemos. Em 2015 o Coletivo se muda para a região do Baixo Centro de São Paulo para falar sobre os desafios e conflitos do local.
Dia 07 de novembro a peça reestreia sempre aos sábados e domingos até 12 de dezembro. Serão 12 apresentações partindo sempre da sede da SP Escola de Teatro, localizada na Rua Marquês de Itu, onde o grupo faz residência. O espetáculo itinerante percorre diversas ruas do entorno com cenas e intervenções que dialogam com o espaço e mostrando figuras marcantes do centro da cidade. O projeto tem incentivo do Edital Prêmio Funarte Artes Cênicas na Rua (Circo, Dança e Teatro) 2014, da Funarte (Fundação Nacional das Artes) ligada ao Ministério da Cultura. 
A montagem tem como base propositora a especulação imobiliária e o conceito de espetacularização da cidade. Tudo começa com o público sendo recepcionado por corretores de imóveis que tratam a todos como compradores em potencial e inicia um tour pela região apresentando um novo conceito em moradia: O Complexo New Wave, um empreendimento único da cultura “sharing”, que revitalizará a região do centro propondo uma nova forma de moradia e comportamento.
 O roteiro trata da vida agitada das grandes metrópoles, traz uma mulher comum, a personagem Norma, como fio-condutor e um empreendimento imobiliário como mote principal para colocar em evidência acontecimentos banais na aparente normalidade da vida cotidiana. O  projeto brinca com realidade e ficção, tornando o público ora observador distante ora personagem da trama, o público se torna jogador/feitor de uma história que se faz a cada dia única.
A encenação tem inspirações teóricas de Michel Foucault e Zygmunt Bauman e propõe ao público uma imersão na arquitetura da região e no próprio organismo urbano, do qual somos partes.
“A peça ganha novas cenas, intervenções e características com a pesquisa no Baixo Centro, o roteiro e as imagens criadas foram pensadas para região  e o seu universo, marcado pelo processo de embelezamento dos novos empreendimentos e exclusão dos antigos moradores, a presença da prostituição e moradores de rua. O centro é um híbrido de ritmos, moradores, comércios e funções. O nosso roteiro dialoga com suas peculiaridades e questiona o que queremos para nossa cidade. Nessa temporada,  nosso projeto enriquece com a presença do Bijari e suas criações conosco para instalações;  com Pedro Vale, artista plástico, tecendo novas imagens das figuras que perambulam durante o trajeto e o Renato Navarro realizando a trilha sonora. Enfim, estamos ansiosos para compartilhar com o público o trabalho, ocupando as ruas e dialogando com a arquitetura e os  moradores da região”, diz Pâmella Cruz, diretora do espetáculo e do Coletivo PI.
O espetáculo O retrato mais que óbvio daquilo que não vemos será realizado em temporada totalmente gratuita. Para esta temporada o Coletivo PI amplia sua pesquisa por meio da parceria com o Coletivo Bijari, compondo a proposta de iluminação e projeções durante o trajeto. O Bijari, é um núcleo de SP  que trabalha há mais  18 anos com arquitetura e intervenção urbana.

PIPI
Além da temporada, o Coletivo PI fará a terceira edição do PIPI – Prováveis Inquietações sobre Performance e Intervenção, um encontro para reunir pesquisadores e coletivos que ocupam a cidade com intervenções e pensam novos significados para a cidade. O PIPI será realizado dia 17 de novembro (terça-feira), às 19h na SP Escola de Teatro da Praça Roosevelt e é aberto ao público.

FICHA TÉCNICA
Produção:  Coletivo PI
Concepção Original:  Natalia Vianna, Pâmella Cruz, Priscilla Toscano
Criação: Coletivo PI
Dramaturgia: Coletivo PI
Direção: Pâmella Cruz
Assistência de Direção: Natalia Vianna
Iluminação: Bijari
Trilha Sonora: Renato Navarro
Figurino e Adereços: Emanuela Araújo e Pedro Vale
Preparação Corporal: Júlio Razec
Preparação Vocal: Marcelo Prudente
Elenco:  Chai Rodrigues; Emanuela Araújo; Fernanda Pérez; Júlio Razec; Marcelo Prudente; Mari Sanhudo; Matheus Félix; Natalia Vianna; Pâmella Cruz; Thiago Camacho.
Direção de Produção: Chai Rodrigues
Assistentes de Produção: Jean Carlo Cunha e Mari Sanhudo
Operação de luz: Flávia Servidone
Contrarregragem: Eduardo Garcia, Darah Menezes e Lucas S. do Couto
Assessoria de Imprensa e Comunicação: Luciana Gandelini e Chai Rodrigues
  
INFORMAÇÕES SOBRE O ESPETÁCULO
Público- Alvo: Pessoas acima de dezoito anos.
Quantidade por apresentação: 40 pessoas
Temporada: 07/11 a 13/12: Sábados e Domingos.
Horários: 20h (Sábados) e 19h (domingos)
Chegar com vinte minutos de antecedência para retirada dos ingressos
Espetáculo Itinerante: Favor comparecer com roupas leves, bolsas e mochilas pequenas. Haverá chapelaria para o público guardar pertences.
Local – SP Escola de Teatro. Endereço: Rua Marquês de Itu, nº273, Vila Buarque, São Paulo - SP, CEP 01223-001.

15.9.15

Performance Contornos na Maratona Cultural Cidade Olímpica


Foto: Willow Kohlrausch
Para comemorar um ano de contagem regressiva para os Jogos Olímpicos 2016, que serão realizados na cidade do Rio de Janeiro, o Minc promoveu em agosto deste ano mais de 40 atividades culturais dentro da Maratona dentre elas a performance "Contornos" do Coletivo PI. 

A ação do PI aconteceu no Museu Nacional de Belas Artes, no centro do Rio de Janeiro e foi promovida pelo Minc, por meio Fundação Nacional das Artes Funarte e o Instituto Brasileiro de Museus - Ibram.

A performance é uma celebração, que une diversas linguagens artísticas: a performance, a dança, a música e as artes visuais, além dos elementos da street art como o stencil de contornos femininos que iniciam a feitura da tela. O trabalho acompanha a perspectiva de pesquisa em site specific do Coletivo PI, sendo desenvolvido em diálogo com o espaço da ação. A performance pode ser realizada numa grande tela ou em muros e paredes da cidade, ganhando contornos próprios a cada realização. Por ser uma obra aberta, pretende-se trabalhar com as cores da bandeira do Brasil, dialogando com a temática das Olimpíadas e em referência às atletas mulheres que marcaram e marcam a história do esporte brasileiro.

FICHA TÉCNICA
Criação e Produção Geral: Coletivo PI
Performers: Chai Rodrigues, Natalia Vianna, Pâmella Cruz e Priscilla Toscano
Partitura Corporal: Marcelo D'Ávilla e Ednei Reis
Equipe de Produção: Jean Carlo Cunha, Mari Sanhudo e Marcelo D'Avilla
Trilha sonora: Renato Navarro
Realização: Coletivo PI, Minc, Funarte e Ibram

Imagens da Performance Contornos no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro.

Agosto/2015

Fotos: Willow Kohlrausch


27.6.15

"As lembranças e os sonhos nunca são exatos"

Intervenção urbana NA FAIXA brincou com o tempo e o espaço das cidades.

O tempo de cruzamento do semáforo de uma faixa de pedestres em uma cidade qualquer não muda, mas a sensação do passar do tempo pode variar de acordo com quem comanda a ação de sair e chegar a algum lugar. E se no meio do caminho de chegar ao outro lado da rua a pessoa ainda encontra duas pessoas com guarda-chuvas dançando? Ou três pessoas escrevendo uma frase num tecido? Ou duas mulheres fazendo um nado sincronizado no meio da rua? (Por que não?). Além disso, e se a pessoa enxerga duas outras pessoas de idades completamente diferentes fazendo a mesma ação ou o oposto delas? Aí é possível 'dar um nó' no tempo e no espaço. Como se fossem dois relógios contando, às vezes diminuindo e as às vezes acrescentando vida, mas sempre passando... e mudando.

Um dos objetivos do Coletivo PI ao fazer intervenções urbanas é quebrar esses fluxos temporais, provocando outras formas de ver a cidade e os habitantes dela. Indo até onde as pessoas estão nas suas rotinas, interferir poeticamente, passar e seguir. A intervenção urbana NA FAIXA, criada em 2011, foi desenvolvida para provocar essas rupturas. Entre os dias 13 e 19 de junho deste ano, as ações da intervenção percorreram várias cidades do Estado de São Paulo criando esses pequenos e efêmeros 'nós' no tempo e espaço. A dinâmica da ação consiste em encontros inusitados de duas pessoas durante o tempo do farol para pedestres. Estas criações fizeram parte da Campanha de Conscientização da Violência contra pessoas idosas, organizada pelo SESC-SP. Para a realização do projeto, o PI aceitou o desafio de integrar ao grupo quatro idosos, criando ações e imagens para sensibilizar os passantes sobre questões pertinentes à velhice, quebrando estereótipos, revelando encontros de gerações.
     

Nesta composição de 2015, a proposta de unir diferentes fases da vida proporcionou o encontro entre duas gerações diretas: Priscilla e Sandra Toscano. Filha, diretora do Coletivo PI e a Mãe Sandra, que sempre esteve presente auxiliando as produções do grupo (todos do PI são fãs dela), agora juntas em cena, interferindo na cidade: "Na última semana realizando a última edição do “Na Faixa” tive a oportunidade de compartilhar a cena com a Sandra Toscano. Minha mãe sempre esteve por perto ajudando na produção do Coletivo PI, mas todas as vezes no backstage. Dessa vez ela teve de sair do anonimato e ajudar atuando. Eu ganhei um presente por poder estar ao lado da pessoa que mais amo no mundo fazendo também o que eu mais amo nessa vida que é a intervenção urbana. O Coletivo PI teve o prazer de poder participar da campanha do Sesc de conscientização da violência contra a pessoa idosa inserindo na intervenção “Na Faixa” o encontro de gerações para discutir temas delicados e extremamente necessários, que é o olhar para a pessoa idosa, o cuidado e a atenção que devemos exercitar e a capacidade de se colocar no lugar do outro. E claro, esse encontro de gerações ganhou uma dose extra de poesia pela sensível escolha de promover o encontro de mãe e filha nessa obra. Foi incrível!", afirma Priscilla Toscano.

Priscilla e Sandra Toscano em uma das intervenções
do NA FAIXA. Foto: Rodrigo Dionisio
Além das duas, participaram das ações os convidados Ignez Polidoro, José Luis Gonçalves e Paulo Cardoso. O Coletivo PI ainda contou com as atuações de Jean Carlo Cunha, Natalia Vianna e Pâmella Cruz. Os oito performers provocaram o Tempo, mostrando que Ele pode não ser tão linear assim como parece e, mesmo sendo, é possível dançar, se dependurar e brincar sobre essa linha imaginária. Durante as intervenções, quem passava  recebia um cartão postal com o poema Relatividade, de Jefferson Santana, como uma lembrança da ação artística. Não uma lembrança exata, mais ainda assim uma lembrança.

Confira as imagens da intervenção urbana NA FAIXA em 2015
Fotos: Rodrigo Dionisio


Vídeo da Intervenção NA FAIXA, 2015


Por Chai Rodrigues

10.6.15

Intervenção urbana 'Na Faixa' leva poesia e humor para as faixas de pedestres de São Paulo



Intervenção Na Faixa no Festival BaixoCentro (2013). Foto: Eduardo Bernardino
Em junho, o Coletivo PI realiza a ação em várias cidades do Estado em meio à Campanha de conscientização da violência contra pessoas idosas, organizada pelo SESC SP.


         Na Faixa é uma intervenção urbana do Coletivo PI, criada originalmente em 2011, que mostra os encontros inusitados de duas pessoas durante o tempo do farol para pedestres. Agora, ação terá participação de quatro idosos, criando ações e imagens que sensibilizem para questões pertinentes à terceira fase da vida, quebrando estereótipos, revelando encontros de gerações.

         O trabalho está na programação da Campanha de conscientização da violência contra pessoas idosas organizada pelo SESC SP, que acontece nas unidades das capitais e interior durante a semana de 13 a 19 de junho. O marco é o dia 15, instituído pela ONU em 2006 como data internacional de combate a violência e luta pelos direitos à pessoa idosa. 

         Na Faixa foi criado originalmente para o cruzamento da Av. Paulista com Av. Brigadeiro Luis Antonio na cidade de São Paulo em 2011 e vem, ao longo do tempo, sendo modificado a cada farol novo em que é realizado. É uma ação com doses de humor e poesia, que brinca com o ato de esperar e de travessia, mostrando diversas formas de encontrar alguém no meio da multidão. O projeto já foi realizado para Festival Baixo Centro 2013 e fez parte da série Cenas Urbanas do canal Discovery TLC, exibido em 2013.

         Agora, integrando a programação do SESC, a intervenção acontecerá em faixas de diferentes cidades de São Paulo, contagiando as ruas com humor e poesia, explorando as relações entre pessoas de gerações distintas, desconstruindo clichês, mostrando encontros inusitados, divertidos e poéticos, aguçando um olhar sensível sobre a cidade e o respeito às pessoas da terceira idade.

         A intervenção lida com uma dose de humor, de ironia, uma brincadeira no meio da cidade. Uma imagem que surge do asfalto. Um recorte e colagem de ações para ressaltar o olhar das pessoas para o espaço em que vivemos por meio do contraste, do exagero, da ludicidade. Compor e contrapor ao mesmo tempo com o cenário urbano e fazer referência à ideia do artista de rua. 

         No novo formato, com os idosos compondo a ação, foram feitas  adaptações das cenas já existentes e a criação de novas imagens, explorando as relações entre pessoas de gerações distintas, desconstruindo clichês e revelando encontros inusitados, divertidos e poéticos. Um exemplo destes encontros é uma dança com guarda-chuvas em plena rua entre uma jovem e uma senhora. Outra possibilidade é um idoso grafitando em um painel a pergunta: “O que é invisível na cidade?”.

        
Postais serão entregues aos transeuntes para perpetuar a lembrança da ação do Coletivo. Foto: Rodrigo Dionisio
Como forma de divulgação da ação e da importância do “Dia mundial de conscientização da violência contra a pessoa idosa”, serão entregues cartões postais, com fotos da ação e um poema de Jefferson Santana sobre o tempo, para os motoristas e transeuntes no momento da ação. O postal é um rastro, uma lembrança do “Na faixa” que é efêmero, passageiro, poetizando o espaço comum da vida.

         Segundo Pâmella Cruz, diretora do PI: "Na Faixa propõe um olhar diferenciado à rua e torna o simples ato de encontrar alguém pano de fundo para as mais diversas ações e imagens que se formam e se vão no rápido tempo de passagem de pedestres. A criação veio do estudo dos símbolos das cidades e do modelo comportamental impessoal que assumimos no espaço público. Desta forma, elaboramos e reelaboramos um roteiro com mais de dez ações que acontecem na faixa de pedestres, transformando um ato banal em espetacular e uma imagem espetacular em cotidiana. Agora com o convite do SESC, mostraremos o lado inusitado e poético da terceira idade, focaremos no encontro de gerações e como devemos romper as barreiras da indiferença, buscando uma convivência solidária pelas ruas da cidade. Na Faixa, fará refletir como somos hoje e como pensamos o futuro, se ainda precisaremos de leis e cartazes obrigatórios nos transportes para ceder o lugar, de multas para parada de um carro dando espaço aos pedestres, enfim nos faz pensar que formas de vida buscamos em nosso cotidiano".



Para saber se irá cruzar com Na Faixa, confira a programação.

(a cada cidade haverá três ou seis entradas em faixas de pedestre das ruas)

13/jun 10h30 às 13h Bairro: Vila Mariana – SP

13/jun 15h às 16h30 Bairro: Pompeia - SP

14/jun 10h às 18h Cidade: Santos 

15/jun 8h30 às 10h Região da Av. Paulista  - SP

15/jun 14h às 15h30 Cidade: São Caetano 

16/jun 10h às 11h30 Bairro: Santo Amaro

16/jun 15h às 16h30 Bairro: Campo Limpo 

17/jun 12h às 18h Cidade: Bauru 

18/jun 13h às 18h Cidade: Ribeirão Preto 

19/jun 11h às 18h Cidade: Piracicaba



Ficha Técnica

Criação e Produção: Coletivo PI
Performers: Jean Carlo Cunha, Natalia Vianna, Pâmella Cruz e Priscilla Toscano (Coletivo PI), Ignez Polidoro, José Luis Gonçalves, Paulo Cardoso, Sandra Toscano.

Vídeo da intervenção Na Faixa gravado para o canal TLC, em 2012.