A intervenção urbana é uma forma de arte cujo objetivo é interagir, de maneira criativa e poética, com o espaço cotidiano e as pessoas. As intervenções são capazes de reinventar, ainda que momentaneamente, novos sentidos ao espaço escolhido e suscitar novas percepções às pessoas.

10.6.15

Intervenção urbana 'Na Faixa' leva poesia e humor para as faixas de pedestres de São Paulo



Intervenção Na Faixa no Festival BaixoCentro (2013). Foto: Eduardo Bernardino
Em junho, o Coletivo PI realiza a ação em várias cidades do Estado em meio à Campanha de conscientização da violência contra pessoas idosas, organizada pelo SESC SP.


         Na Faixa é uma intervenção urbana do Coletivo PI, criada originalmente em 2011, que mostra os encontros inusitados de duas pessoas durante o tempo do farol para pedestres. Agora, ação terá participação de quatro idosos, criando ações e imagens que sensibilizem para questões pertinentes à terceira fase da vida, quebrando estereótipos, revelando encontros de gerações.

         O trabalho está na programação da Campanha de conscientização da violência contra pessoas idosas organizada pelo SESC SP, que acontece nas unidades das capitais e interior durante a semana de 13 a 19 de junho. O marco é o dia 15, instituído pela ONU em 2006 como data internacional de combate a violência e luta pelos direitos à pessoa idosa. 

         Na Faixa foi criado originalmente para o cruzamento da Av. Paulista com Av. Brigadeiro Luis Antonio na cidade de São Paulo em 2011 e vem, ao longo do tempo, sendo modificado a cada farol novo em que é realizado. É uma ação com doses de humor e poesia, que brinca com o ato de esperar e de travessia, mostrando diversas formas de encontrar alguém no meio da multidão. O projeto já foi realizado para Festival Baixo Centro 2013 e fez parte da série Cenas Urbanas do canal Discovery TLC, exibido em 2013.

         Agora, integrando a programação do SESC, a intervenção acontecerá em faixas de diferentes cidades de São Paulo, contagiando as ruas com humor e poesia, explorando as relações entre pessoas de gerações distintas, desconstruindo clichês, mostrando encontros inusitados, divertidos e poéticos, aguçando um olhar sensível sobre a cidade e o respeito às pessoas da terceira idade.

         A intervenção lida com uma dose de humor, de ironia, uma brincadeira no meio da cidade. Uma imagem que surge do asfalto. Um recorte e colagem de ações para ressaltar o olhar das pessoas para o espaço em que vivemos por meio do contraste, do exagero, da ludicidade. Compor e contrapor ao mesmo tempo com o cenário urbano e fazer referência à ideia do artista de rua. 

         No novo formato, com os idosos compondo a ação, foram feitas  adaptações das cenas já existentes e a criação de novas imagens, explorando as relações entre pessoas de gerações distintas, desconstruindo clichês e revelando encontros inusitados, divertidos e poéticos. Um exemplo destes encontros é uma dança com guarda-chuvas em plena rua entre uma jovem e uma senhora. Outra possibilidade é um idoso grafitando em um painel a pergunta: “O que é invisível na cidade?”.

        
Postais serão entregues aos transeuntes para perpetuar a lembrança da ação do Coletivo. Foto: Rodrigo Dionisio
Como forma de divulgação da ação e da importância do “Dia mundial de conscientização da violência contra a pessoa idosa”, serão entregues cartões postais, com fotos da ação e um poema de Jefferson Santana sobre o tempo, para os motoristas e transeuntes no momento da ação. O postal é um rastro, uma lembrança do “Na faixa” que é efêmero, passageiro, poetizando o espaço comum da vida.

         Segundo Pâmella Cruz, diretora do PI: "Na Faixa propõe um olhar diferenciado à rua e torna o simples ato de encontrar alguém pano de fundo para as mais diversas ações e imagens que se formam e se vão no rápido tempo de passagem de pedestres. A criação veio do estudo dos símbolos das cidades e do modelo comportamental impessoal que assumimos no espaço público. Desta forma, elaboramos e reelaboramos um roteiro com mais de dez ações que acontecem na faixa de pedestres, transformando um ato banal em espetacular e uma imagem espetacular em cotidiana. Agora com o convite do SESC, mostraremos o lado inusitado e poético da terceira idade, focaremos no encontro de gerações e como devemos romper as barreiras da indiferença, buscando uma convivência solidária pelas ruas da cidade. Na Faixa, fará refletir como somos hoje e como pensamos o futuro, se ainda precisaremos de leis e cartazes obrigatórios nos transportes para ceder o lugar, de multas para parada de um carro dando espaço aos pedestres, enfim nos faz pensar que formas de vida buscamos em nosso cotidiano".



Para saber se irá cruzar com Na Faixa, confira a programação.

(a cada cidade haverá três ou seis entradas em faixas de pedestre das ruas)

13/jun 10h30 às 13h Bairro: Vila Mariana – SP

13/jun 15h às 16h30 Bairro: Pompeia - SP

14/jun 10h às 18h Cidade: Santos 

15/jun 8h30 às 10h Região da Av. Paulista  - SP

15/jun 14h às 15h30 Cidade: São Caetano 

16/jun 10h às 11h30 Bairro: Santo Amaro

16/jun 15h às 16h30 Bairro: Campo Limpo 

17/jun 12h às 18h Cidade: Bauru 

18/jun 13h às 18h Cidade: Ribeirão Preto 

19/jun 11h às 18h Cidade: Piracicaba



Ficha Técnica

Criação e Produção: Coletivo PI
Performers: Jean Carlo Cunha, Natalia Vianna, Pâmella Cruz e Priscilla Toscano (Coletivo PI), Ignez Polidoro, José Luis Gonçalves, Paulo Cardoso, Sandra Toscano.

Vídeo da intervenção Na Faixa gravado para o canal TLC, em 2012.


6.6.15

Terceira edição do Sarau do PI discutiu, na Avenida Paulista, a produção feita na periferia da cidade



Foto: Roni Adame

Evento na Casa das Rosas contou com escritoras, pesquisadoras, música e performances. 


         As duas últimas edições do Sarau do PI abordaram temáticas que podem direcionar a forma de fazer literatura, mas tanto no sarau sobre literatura erótica quanto no sarau sobre literatura de periferia uma questão está cada vez mais latente: dá pra separar a produção rigorosamente em temas? Eles realmente determinam a linguagem da produção artística? Durante o bate papo entre Jéssica Balbino e Michele Santos, por exemplo, uma das questões feitas pelo público foi: é possível escrever literatura de periferia sem morar na periferia? Para Jessica, não; para Michele, sim. A discussão sobre forma X conteúdo cruzou todo o bate papo.


         Vários outros assuntos correram durante a conversa que durou 40 minutos na Casa das Rosas, no último sábado, dia 30/05. As convidadas falaram sobre seus trabalhos, suas autoras favoritas e seus projetos. Jessica Balbino, inclusive coordenada uma pesquisa sobre produção de literatura marginal feita por mulheres. Os interessados podem responder o questionário no portal Margens (margens.com.br)  e apontar quais autoras conhecem ou se apresentar como produtoras. Acima de tudo, o que mais interessa é abrir espaço para a produção feminina.


         Cumprindo a tradição do sarau de unir diversas artes, após a primeira abertura de microfone, o público foi direcionado na área externa da Casa das Rosas para assistir a cena performática COMA, das artistas Emanuela Araújo e Fernanda Pérez. Após a ação o público pode assistir o vídeo documentário de Iza Monteiro falando sobre sua trajetória para se reconhecer e ser reconhecida como mulher. O trabalho se uniu às ações "Meu corpo, minhas regras", de Jean Carlo Cunha. As pessoas foram convidadas a escrever sobre o tema em telas distribuídas pelo salão. O resultado desses depoimentos será conferido no próximo Sarau do PI, que encerra esse ciclo do coletivo na Casa.


         Fechando essa edição, a cantora Graça Cunha e o músico Stefanio Faustino presentearam o público com músicas feitas por grandes mulheres, inclusive uma composição própria de Graça Cunha. A próxima edição do Sarau do PI será dia 04 de junho, a partir das 19h. O tema será Dramaturgia Feminina.


Confira as imagens do III Sarau do PI - Literatura Feminina Contemporânea

LITERATURA DE PERIFERIA

Fotos: Roni Adame



Por Chai Rodrigues

23.5.15

Sarau do PI - Literatura de Periferia



3ª edição do projeto sobre literatura feminina contemporânea ocorre no próximo sábado, na Casa das Rosas.

         Em sua terceira edição, o Sarau do PI - Literatura Feminima Contemporânea traz a temática da periferia e a mulher, dando voz aos textos de importantes representantes, começando por Carolina Maria de Jesus, que nesse ano completa cem anos de seu nascimento. Dessa vez o bate-papo sobre literatura, mediado por Talita Mochiute, será com Jéssica Balbino, e sua imersão na cultura hip-hop, e Michele Santos, do Sarau Sobrenome Liberdade. 
         A programação do Sarau ainda conta com a presença da cantora Graça Cunha e do violinista Stefanio Faustino, interpretando canções de compositoras brasileiras; a cena performática COMA das atrizes Emanuela Araújo e Fernanda Pérez, além do trabalho "Meu Corpo Minhas Regras" de Jean Carlo Cunha com a participação de Iza Monteiro, alargando as discussões de gênero, narrando sua história como transexual na busca de ser reconhecida como mulher.
         O sarau é aberto será realizado no próximo sábado, dia 30 de maio, a partir das 19h, na Casa das Rosas em São Paulo. O evento é gratuito e todos podem participar. Os ingressos serão distribuídos com uma hora de antecedência e o espaço está sujeito a lotação. A Casa das Rosas fica na Avenida Paulista, 37 - próximo à estação Brigadeiro, do metrô.

Saiba mais sobre os artistas da 3ª edição do Sarau do PI: Literatura de Periferia.

Foto: Adessa Melo
Michele Santos
As palavras escrevem caminhos: foi assim que Michele Santos juntou-se ao time de poetas do Sarau Sobrenome Liberdade, na região do Grajaú, zona Sul de São Paulo (onde atua como organizadora, mas vez-quando suspeita-se mediadora de espantos) e tornou-se educadora nas redes públicas de ensino de São Paulo. Entre saraus e salas de aula, a propagação da literatura atual e atuante é marca e princípio. Marginal, periférico, cânone – quando a palavra fala mais alto, as adjetivações ficam mudas. Por isso acredita no poder da disseminação cultural dos saraus e no ficcional da literatura como estratégia para construir realidades mais dignas, com especial apreço ao que diz respeito à voz feminina inserida no cenário artístico.“Toda via,” seu primeiro livro, está em estágio de edição. Tão logo venha: palavra de mulher.

Foto: divulgação
Jéssica Balbino
Jornalista, mestranda em comunicação pelo Labjor/IEL da Unicamp, criadora do Margens,  editora do site G1, pesquisadora, amante, apaixonada, entusiasta da literatura marginal/periférica/contemporânea brasileira. Viciada em saraus, poesia e livros. Participa com rigor de debates sobre cultura, arte, direitos humanos, literatura, feminismo e periferia. Especializada em jornalismo literário/digital e comunitário, produtora cultural com vivência intervenções, cursos e saraus. Produtora e assessora de imprensa e comunicação do Inquérito desde 2010 e das atividades e campanhas ligadas ao grupo desde então. Como a campanha de combate ao álcool “Um Brinde“, a criação do livro #PoucasPalavras, de Renan Inquérito e a criação, produção e comunicação do sarau Parada Poética. Autora dos livros Traficando Conhecimento (Aeroplano, 2010) e Hip-Hop: A Cultura Marginal (Independente, 2006), além de participar como coautora de diferentes obras vinculadas à literatura marginal e ao hip-hop. Revisou os livros “100 contos por 10 contos trocados”, “Troco um causo por um conto” e “Quase”, de Daniel Viana, inspirados em intervenções urbanas e micronarrativas. Membro dos coletivos Frente Nacional de Mulheres do Hip-Hop (FNMH²), Hip-Hop Mulher e Mjiba. Ministra oficinas, workshops e palestras sobre jornalismo hip-hop, literatura periférica e cultura marginal, além de escrevo eventualmente sobre hip-hop e literatura marginal para o site Bocada Forte. Produz também o documentário “Cada Canto Um Rap, Cada Rap Um Canto’, com Renan Inquérito e Vras77. Já escreveu para veículos especializados como Portal e revista RAP Nacional, Viva Favela, jornal Boletim do Kaos, para o número especial da Revista da Cooperifa e para uma edição do O Menelick – 2º Ato, com reportagem sobre a Livraria Suburbano Convicto, além de uma reportagem sobre o mesmo tema para a Revista Overmundo.

Foto: Ed Santana
COMA – Cena Performática
COMA é uma cena performática sobre questões do universo feminino e a marginalidade como o aborto ilegal e moradoras de rua. Criada pelas atrizes Emanuela Araújo e Fernanda Perez, a cena começa na Avenida Paulista e invade o espaço da Casa das Rosas, aguçando a curiosidade dos transeuntes e surpreendendo o público do sarau. Para ilustrar o tom de COMA, as criadoras reconstroem um trecho da peça Gota D’Água: Cuspe, veneno, carne, moinho, dor, cebola, coentro, gordura, sangue frio no centro de uma mesma mesa. Misture inverta. Moer a carne. Sangrar o unguento. Envenene. Unguento uma baba grossa e escura. Paladar violento, engolindo a criatura, co' a morte lenta e segura.






Foto: divulgação
Graça Cunha
Iniciou sua carreira em 1993, como solista no Musical Noturno de Oswaldo Montenegro, na Oficina dos Menestréis. Em sua trajetória, a cantora possui mais de 2000 trabalhos que foram ao ar (entre jingles e locuções para TV, Rádio e Cinema), assim como participações em CDs de artistas de renome, como Rita Lee, Jota Quest, Skank, Paulo Miklos, entre outros. Fez participações  em CDs lançados no Exterior, como Eletrobossa   Nights (Azul Music) e Brazilian Divas (Experience Records, lançado apenas no Japão), e no Brasil, nos CDs Cartola para Todos (MCD), Um olhar  Corciolli (Azul Music) e Rio 58  Roberto Coelho (MCD). Sua voz também se faz presente nos Documentários Pelé Eterno (2004), Cantoras do Rádio (Nov./2008) e Fiel, o Filme   documentário sobre o Corinthians, lançado em Abril/2009. Graça também integra desde Setembro de 2005, a Banda do Programa Altas Horas do Apresentador Serginho Groisman, que vai ao ar nas madrugadas de Sábado na Rede  Globo, com reprise aos Domingos às 16h30 pelo Canal  Multishow. Em 2007, lançou seu primeiro CD Solo De Virada, pela Gravadora Azul Music. Com este álbum, Graça Cunha foi indicada ao Grammy Latino em 2 categorias: Melhor CD de MPB e Artista Revelação. Também recebeu uma honrosa crítica de Nélson Motta ao seu trabalho, no Programa Sintonia Fina, que vai ao ar pela Rádio Eldorado FM. Lançou seu álbum Tiro de letra em dezembro de 2011

Foto: Roni Adame | divulgação
Meu corpo, minhas regras
A ação Meu Corpo Minhas Regras, de Jean Carlo Cunha do Coletivo PI, que acompanha as edições do sarau, agora recebe a narrativa de Iza Monteiro, contando sua trajetória para ser reconhecida como mulher, alargando as discussões de gênero. O trabalho questiona os padrões e imposições da cultura quanto ao uso do corpo. Trate-se de ações poéticas que dialogam com as questões em torno do universo feminino, onde a decisão do uso do corpo, deve ser pessoal e intransferível, nem da igreja, nem da família e nem do Estado. É uma frase que surge em meados de 2012 no movimento "Marcha das Vadias", e desde então é usada para uma série de protestos e manifestações feministas.


Talita Mochiute (mediadora)
Jornalista, possui graduação em Letras pela USP e Mestrado em Teoria Literária e Literatura Comparada com pesquisa em torno da obra Coetzee, com enfoque na figura do narrador. Tem experiência profissional na área de Jornalismo e Editoração. É parceria do Coletivo PI no Sarau de Literatura Feminina Contemporânea, assinando a curadoria em literatura e a mediação da conversa com as autoras.