A intervenção urbana é uma forma de arte cujo objetivo é interagir, de maneira criativa e poética, com o espaço cotidiano e as pessoas. As intervenções são capazes de reinventar, ainda que momentaneamente, novos sentidos ao espaço escolhido e suscitar novas percepções às pessoas.

24.5.14

Entre Saltos, em Salvador, encerra projeto pelo Prêmio Funarte Mulheres nas Artes Visuais

Foto: Milla Carol

Dia de sol e calor recebeu o coro de performers pelas principais ruas da cidade

Dia 23 de abril é dia de São Jorge. Segundo a crença popular, todo dia 23 ele passeia pela terra para verificar como estão as pessoas que tem fé nele. Desde o início do projeto Entre Saltos, São Jorge foi escolhido como o protetor dos homens e mulheres participantes desta caminhada. Escolhido talvez não seja a palavra, ele se fez presente por meio da fé. Ontem, 23 de maio de 2014, dia da ilustre visita, o Coletivo PI encerrou o projeto Entre Saltos na cidade de Salvador, Estado da Bahia. São Jorge estava lá, ao lado, protegendo a todos. O resultado não poderia ter sido melhor: Mais de trinta pessoas estiveram presentes, entre mulheres e homens.

Foto: Milla Carol
Definir o trajeto e o local da instalação foram os principais desafios da produção. A cidade é grande, cheia das obras em andamento, calçadas estreitas, possui diversos pontos possíveis para encerramento da ação e muita gente nas ruas. O coro saiu do Espaço Xisto, no bairro Barris às quatro horas da tarde, seguiu pela rua Sete de Setembro até chegar ao Pelourinho, um dos maiores centros de turismo do Brasil, berço de grande parte da história da Bahia. Uma hora e meia depois, a finalização foi no Dique do Tororó, lago que possui estátuas dos orixás, inclusive Ogum, representação de São Jorge na crença de matriz africana. Os performers fizeram um trançado de sapatos à margem do lago. Segundo a diretora do Coletivo PI, Pâmella Cruz, encerrar a performance em um lago foi importante por ser a água um local inédito e por esta ser um condutor natural de energia.

Durante essas quatro performances dentro do Prêmio Funarte Mulheres nas Artes Visuais, do Ministério da Cultura, o principal diferencial e trunfo do projeto foram as pessoas. Tanto os parceiros nas cidades auxiliando a produção quanto e, principalmente, as pessoas atuantes como performers. O atravessamento de sensações, histórias e objetivos ocorreu pelas duas vias: dos propositores do Coletivo PI para os participantes das oficinas e destes em direção ao Coletivo. Tantos sapatos, tantas passadas, cores e reflexões dos seres que ensinaram mais do que imaginam, por que o coro estava presente e era forte. Daqui pra frente, quase 150 mulheres e homens presentes na performance (inclusive São Jorge) pelas quatro cidades caminharão de outra maneira, porque a própria noção pura de ‘mulher’, ‘homem’, ‘gênero’, ‘ser’ foi questionada. Além disso, o conceito do que é espaço urbano, público, privado e arte foram colocados em cheque. São Jorge veio, participou, viu que estava tudo bem mesmo com o desequilíbrio pelo caminhar, mas a forma de pisar e, mais importante, continuar seguindo mudaram radicalmente.

Por Chai Rodrigues


FOTOS DA PERFORMANCE ENTRE SALTOS EM SALVADOR
Fotos: Milla Carol

Foto: Milla Carol

Foto: Milla Carol

19.5.14

Coletivo PI estreia performance Contornos no Sesc Vila Mariana

Foto: Jonas Rodrigues
Uma tela de seis metros foi pintada ao vivo pelas performers do PI.

A área de convivência do Sesc Vila Mariana parou por uma hora para ver os corpos femininos que se embebeciam de tintas e cobriram com os corpos uma tela de seis metros de comprimento com azul, verde, laranja e magenta, formando uma grande pintura. Foi a estreia da performance Contornos, do Coletivo PI, dentro da programação da Virada Cultural de São Paulo.

Foto: Samara Sampaio
O grupo havia realizado vários experimentos de Contornos, mas esta foi a primeira vez que a performance foi exposta. “A performance trata do conceito do contorno como algo que define e, ao mesmo tempo, que limita, oprime, questionando as formações de identidades, do que é ser um corpo. E, neste caso, um corpo feminino dentro de uma sociedade, ainda patriarcal, e de uma cidade bélica, em que agressões e violências às mulheres nos transportes e nas ruas são constantes”, comenta Pâmella Cruz, uma das diretoras do Coletivo PI. A preparação corporal e os movimentos foram desenvolvidos por Marcelo D’Avilla, bailarino e performer. Foram dias de trabalho intenso para preparar os corpos para as quedas provocadas pelo impacto das performers contra a tela. Acompanharam a apresentação artistas, moradores do bairro e crianças. A reação destas foi muito lúdica. Ver quatro mulheres adultas pintando-se e se jogando contra uma tela, criando arte a partir dos movimentos não é algo rotineiro.

Contornos dialoga com o objetivo do Sesc Vila Mariana de, nesta edição da Virada Cultural, expor a potencialidade do corpo. O tema "O corpo e a luz na cidade" uniu no mesmo espaço o Coletivo PI e artistas como Michel Groismam, Eduardo Salvino e Otávio Donasci. A tela permaneceu por 24 horas na área de convivência do Sesc Vila Mariana e permanecerá no acervo do PI para novas ações entorno de Contornos.

Por Chai Rodrigues

Foto: Jonas Rodrigues

Foto: Samara Sampaio

Foto: Samara Sampaio

CONFIRA MAIS FOTOS DA PERFORMANCE CONTORNOS

Fotos: Samara Sampaio



Fotos: Jonas Rodrigues

8.5.14

Corpo feminino na cidade é tema de performance do Coletivo PI na Virada Cultural

Foto: Chai Rodrigues
 No sábado (17/05), às 18h30, o Coletivo PI apresenta Contornos no Sesc Vila Mariana. Para questionar poeticamente os contornos que definem, diferenciam e segregam a mulher na sociedade, performers criam uma tela pintada com seus próprios corpos.

O Coletivo PI realiza Contornos na programação da Virada Cultural 2014, no sábado (17/05) às 18h30, na área de convivência do Sesc Vila Mariana. A performance inédita propõe a reflexão sobre o corpo feminino na cidade, dialogando assim com um dos temas da Virada deste ano: o corpo e a luz na cidade.

Inspirada na pintura gestual de Jackson Pollock, que substituía os pincéis pelo seu próprio corpo, e na artista contemporânea Heather Hansen, que cria grandes desenhos a carvão com movimentos de dança, a performance Contornos também une as artes visuais e a expressão corporal. Mulheres embebidas em tintas fluorescentes vão deixar suas marcas em uma enorme tela branca. 

Foto: Chai Rodrigues
A proposta da criação de contornos coloridos com os corpos femininos busca questionar poeticamente que contornos são esses que definem, segregam e diferenciam o gênero feminino.  Além de tratar da figura da mulher, o trabalho também remete ao direito de cada um construir sua subjetividade, seu gênero, sua estética, tendo espaço e respeito na sociedade.

“A performance trata do conceito do contorno como algo que define e, ao mesmo tempo, que limita, oprime, questionando as formações de identidades, do que é ser um corpo. E, neste caso, um corpo feminino dentro de uma sociedade, ainda patriarcal, e de uma cidade bélica, em que agressões e violências às mulheres nos transportes e nas ruas são constantes.”, comenta Pâmella Cruz, uma das diretoras do Coletivo PI e idealizadora da performance.

O Coletivo PI trabalha com performance e intervenção urbana desde 2009. Uma de suas principais pesquisas é a construção da subjetividade feminina em relação à esfera pública. Dentro dessa linha de investigação artística, Contornos dialoga com o mais recente projeto do grupo, Entre Saltos, que ganhou o Prêmio Nacional Mulheres nas Artes Visuais 2013 – Funarte e percorre neste ano várias cidades do país. Nesta performance, mulheres desfilam na rua com um salto só, chamando atenção para sua existência na cidade. 

Sesc Vila Mariana na Virada Cultural 2014
O corpo sempre foi objeto de representação e simbolização. Na Idade Média, era visto como uma vestimenta da alma, totalmente desprovido de valor. No Renascimento, ganhou novas expressões, dissociando-se da espiritualidade. Hoje em dia, está em destaque como nunca: é suporte midiático, representação social, modelo de vida, identidade. Com tantas funções, não é de se estranhar que ele seja um dos temas mais visitados também pelas diferentes linguagens artísticas. No teatro, quando o corpo é o destaque, entram os gestos e saem os diálogos. Na dança e na performance, ele passa a ser o centro, e o enredo fica em segundo plano. Na música, ele é o criador de sonoridades. A proposta do Sesc Vila Mariana, durante a Virada Cultural de 2014, é mostrar algumas das potencialidades dessa máquina, usadas nas distintas artes.

Programação completa em: sescsp.org.br/programacao


Teaser de Contornos
Edição: Natalia Vianna


CONTORNOS
Data: 17/05/2014 (sábado)
Horário: 18h30
Duração: 45minutos
Entrada franca
Local: Sesc Vila Mariana - Área de Convivência
Endereço: Rua Pelotas, 141 - Vila Mariana - São Paulo

Ficha Técnica
Criação e Produção Geral: Coletivo PI
Performers: Chai Rodrigues, Fernanda Perez, Natalia Vianna e Pâmella Cruz
Preparador Corporal: Marcelo D'Avilla
Equipe de Produção: Adriano Garcia, Jean Carlo Cunha e Mari Sanhudo