A intervenção urbana é uma forma de arte cujo objetivo é interagir, de maneira criativa e poética, com o espaço cotidiano e as pessoas. As intervenções são capazes de reinventar, ainda que momentaneamente, novos sentidos ao espaço escolhido e suscitar novas percepções às pessoas.

4.5.14

Coletivo PI leva as ruas de Salvador a performance urbana Entre Saltos

Performance Entre Saltos em São Paulo
Foto Eduardo Bernardino
Em parceria com o Espaço Xisto “Entre Saltos” propõe reflexão sobre a construção da feminilidade nos dias atuais.

A peformance urbana Entre Saltos, do Coletivo PI, será realizada na capital baiana no dia 23 de maio com o apoio do Espaço Xisto e colaboração do Coletivo Osso. A ação faz parte do projeto vencedor do Prêmio Funarte Mulheres nas Artes Visuais, que visa ampliar as discussões e as manifestações artísticas sobre o papel da mulher contemporânea.

O projeto realizado em São Paulo, Campinas e Porto Alegre, agora encerra o prêmio invadindo as ruas de Salvador, convidando mulheres, acima de 18 anos, pessoas do gênero feminino, artistas locais a refletir sobre a construção do feminino nos dias atuais.

Performance Entre Saltos em Porto Alegre
Foto Luísa Gabriela
Entre Saltos mostra um coro de mulheres caminhando pelas ruas com vestidos em tons de vermelho, vinho e rosa, com um salto no pé e outro na mão. A ação se dá em forma de um desfile público, de muitas mulheres, revelando o que está entre os saltos, a beleza da mulher comum, que procura se equilibrar nas diferentes esferas de sua vida e das exigências de uma sociedade cada vez mais voltada para o culto ao corpo.  Assim, um salto no pé e outro na mão é metáfora para esta constante caminhada de equilíbrio/desequilíbrio da vida moderna: a mulher que deve ser a melhor profissional, a mãe amorosa, a esposa atenciosa, a filha sempre prestativa e a amante sempre linda e desejável. De forma poética a performance questiona essas imposições e a construção da imagem do feminino, terminando a caminhada com uma instalação feita com os saltos usados pelas participantes.

“Finalizamos o projeto Entre Saltos com o apoio do Prêmio da Funarte em Salvador. Esperamos que seja uma experiência artística e coletiva tão rica como nas outras cidades. A cada local que passamos, descobrimos novas histórias, construímos um coro de pessoas com tantas motivações, reflexões sobre as questões de gênero, sobre o que é ser mulher hoje, e partilhamos tudo isso. A performance Entre Saltos é única a cada cidade. E o vídeo, resultado desta trajetória, cruzará as histórias, as imagens das quatro cidades”. Afirma Pâmella Cruz, diretora do Coletivo PI.

A oficina de Intervenção Urbana ocorrerá no Espaço Xisto dias 20, 21, 22 das 19h às 22h. Para participar do “Entre Saltos” basta ter idade acima de 18 anos, preencher o formulário disponível aqui no no site do PI e comparecer nas oficinas, onde serão expostos os conceitos sobre a intervenção urbana, as provas de figurinos e a preparação para a caminhada pela cidade. Todas as atividades são gratuitas e tanto o figurino quanto os sapatos são de responsabilidade do Coletivo PI.

A performance sairá do Espaço Xisto às 15h e percorrerá o centro histórico da cidade finalizando com uma instalação feita com os sapatos usados na caminhada.


AGENDA ENTRE SALTOS EM SALVADOR/BA

Oficina de Intervenção Urbana
Data: 20, 21, 22.
Horário: das 19h as 22h.
Local: Espaço Xisto - Rua General Labatut, 27 - Barris, Salvador – BA
Ministrantes: Pâmela Cruz e Natalia Vianna
Conteúdo/Programação: Introdução à Intervenção Urbana; Exposição de fotografias e vídeos de algumas das principais referências sobre a linguagem e suas relações com o teatro, a dança, a performance e as artes visuais; Discussões sobre o universo feminino, o corpo da mulher e a cidade; Exercícios práticos performativos centrados no conceito de coralidade e preparo para atuar na rua; Orientação sobre a construção da escultura de Entre Saltos; Prova de sapatos e figurinos.

Intervenção Entre Saltos
Data: 23 de maio
Horário: das 13h às 19h (ENTRE SALTOS tem duração de 1h30. Este horário compreende preparação – performance - desmontagem).
Local/Trajeto: A concentração e a saída do coro serão no Espaço Xisto. O trajeto da performance percorrerá diversos pontos do centro da cidade.
Saída da Intervenção: 15h

Apoio



27.4.14

Encontro de forças e delicadezas


Coro descendo o Viaduto Otávio Rocha
Foto: Luísa Gabriela
Performance Entre Saltos, em Porto Alegre, foi marcada pela participação de mulheres diversas e desequilibradamente lindas.

A intervenção urbana parte de uma inquietação sobre a vida e o espaço que gera uma proposição de ação artística que atravessa o dia a dia da cidade e, na maioria das vezes, some ao final do ato. Existem testes, ensaios, provocações, mas a obra só é possível quando o artista está in loco e pode ver o local, as pessoas que frequentam aquele espaço, qual o ritmo, os cheiros e as cores da cidade. Quando o trabalho se dá em coro é preciso também ver os corpos e os rostos que podem compor uma ação. Não há mapas, rider técnico e mecanismos virtuais de busca e vista suficientes para dar conta do que é o espaço e as pessoas em si.

Entre Saltos cruzando o Theatro São
Pedro. 
Foto: Luísa Gabriela
Quando um grupo está em um espaço desconhecido é preciso um trabalho intensivo de visitas, conversas e ativar todos os sentidos para assimilar o que a cidade diz, o que as pessoas precisam e querem e conciliar com a proposta artística. Desde que o Coletivo PI chegou na cidade de Porto Alegre - RS para realizar a performance Entre Saltos os dias correram rapidamente e os encontros foram arrebatadores. Três dias de oficina, várias caminhadas, fotos, vídeos, afinar detalhes de articulações e divulgação com Coletivo Feminino Plural, que nos apoiou na cidade, várias mulheres e homens determinados e uma grande responsabilidade. Muito trabalho, mas quem se lança às ruas sabe que não há como ser diferente. Todas essas informações podem não mudar a proposta inicial, mas determina o tom, a energia que aquela obra terá. Então, ela se torna única, viva. Desde a oficina era possível perceber a sede das participantes, a vontade de se experimentar como mulher em uma ação como esta. Daí surgiram manifestações artísticas individuais, depoimentos lindos, risos e choros de todos. 

A performance na capital gaúcha foi a mais longa em tempo e trajeto até agora. Mais de duas horas de duração quando o coro saiu da Casa de Cultura Mario Quintana, passando pelo Theatro São Pedro, Viaduto Otávio Rocha, Rua da República entre outros pontos da cidade e caminhou até o Parque Farroupilha, conhecido como Parque da Redenção. Várias mulheres de origens e histórias tão diversas que tornaram a caminhada singular naquele momento, como Carolina Santos, cadeirante vítima de um tiro do ex-namorado há 14 anos por não aceitar o término do relacionamento. Com a ajuda das performers ela fez todo o trajeto com a cadeira de rodas. Também participaram as três gerações de uma família que fizeram toda a caminhada: Dona Diná de Souza, sua filha Heloysa Sanhudo e a neta Mari Sanhudo.

Escultura aos pés de Atena.
Foto: Luísa Gabriela
Além delas cada uma tinha um motivo, um significado só seu para estar alí e cortaram a cidade firmes e belas num desequilíbrio provocado pelo salto que promove inúmeras discussões sobre ser mulher. Ao final do trajeto os sapatos foram erguidos no Monumento ao Expedicionário, localizado no parque da Redenção. O monumento é uma homenagem aos pracinhas da Força Expedicionária Brasileira que morreram na Segunda Guerra Mundial. Em frente aos arcos existe uma escultura que faz referência direta a Atena, a deusa da mitologia grega que representa a guerra, a sabedoria e a estratégia. Uma figura feminina em um universo extremamente masculino. Os sapatos foram pendurados aos pés da deusa que já nasceu adulta e armada, pronta para a luta, segundo uma das versões do seu mito. A escultura permaneceu até o dia seguinte, mas os relatos, as energias, as lembranças e as emoções de Entre Saltos em Porto Alegre permanecerão. As performers mudaram a cidade e a equipe de produção do Coletivo PI, mas também foram atravessadas pelo espaço pelas pessoas que conheceram nesses quatro dias de encontros de forças e delicadezas. Nada será como antes, ninguém saiu ileso.

Por Chai Rodrigues


Confira mais fotos da Performance Entre Saltos em Porto Alegre - Rio Grande do Sul
26/04/2014
Fotos: Luísa Gabriela




Apoio



25.4.14

Performance Entre Saltos vai percorrer o centro histórico da cidade de Porto Alegre

Primeiro dia de oficina para Entre Saltos
Foto: Mari Sanhudo
Os dois primeiros dias de oficina e experimentos revelaram a força das mulheres e a beleza da cidade.  
Pela primeira vez o Coletivo PI desembarca na cidade de Porto Alegre para realizar a performance Entre Saltos. Desde o início da semana o Coletivo está percorrendo a cidade para entender o seu ritmo e as possibilidades de ação no local. Na quarta-feira foi o primeiro dia de oficina na Casa de Cultura Mário Quintana. As ministrantes Natalia Vianna e Pâmella Cruz falaram sobre as principais referências na área da intervenção urbana para o PI, como o paulista Eduardo Srur, e trabalhos na área da intervenção e da performance feitos por mulheres como a espanhola Yolanda Dominguez.
As representantes do Coletivo Feminino Plural também falaram sobre as ações do coletivo e sobre o Ponto de Cultura Feminista, o primeiro ponto de cultura feminista do Rio Grande do Sul que é gerido pelo coletivo e conveniado ao RS Pontos de Cultura. Este espaço irá promover ações voltadas para a expressão artística e política das mulheres e todas podem participar. Mais informações na Fan Page do Ponto de Cultura Feminista.
Figurino preparado na Casa de Cultura Mario Quintana
Foto: Mari Sanhudo
O segundo dia foi destinado a expor as duas ações anteriores de Entre Saltos em São Paulo e Campinas e para prova de roupas e sapatos onde foi possível começar a enxergar os rostos que estarão na ação do próximo sábado e conversar sobre referências e impulsos. Uma dos grandes questionamentos foi sobre a relação do ser humano com a cidade. Para o coletivo torna-se um desafio fazer essa ação em uma cidade até então desconhecida. Um desafio difícil e prazeroso como qualquer intervenção, pois a ação efetivamente se estabelece no encontro com as pessoas e com a cidade. Essa é a matéria prima do trabalho que faz com que a obra seja única.
Desde a chegada do Coletivo PI na cidade de Porto Alegre o trabalho tem sido intenso. A proposta de trajeto e construção da escultura está preparada e os testes foram feitos. Hoje serão realizados exercícios de corpo para unir o coro e afinar os detalhes da performance. A saída do coro será na Casa Rosa (Casa de Cultura Mario Quintana) e percorrerá o centro histórico da cidade.  Mais informações em breve aqui no site do Coletivo PI.
Por Chai Rodrigues